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Mortal Shell II — Continuação é uma experiencia sólida, inclusive no seu Steam Deck

Mortal Shell II é intenso, técnico e tomará conta do seu PC portátil.

Mortal Shell II finalmente abriu as portas para o público com seu beta aberto, e a primeira impressão é clara: trata-se de um jogo que passou por mudanças significativas em relação ao seu antecessor. A atmosfera continua sombria e pesada, mas agora há uma sensação de maior fluidez nos combates e uma atenção especial aos detalhes visuais, que tornam cada cenário mais imersivo. O título parece buscar um equilíbrio entre manter a identidade da franquia e oferecer novidades que prendam tanto veteranos quanto novos jogadores. Decidimos testar essa experiência no Steam Deck, dispositivo que se consolidou como uma das opções mais acessíveis para quem deseja jogar no PC de forma portátil. O portátil da Valve, com sua configuração intermediária, é praticamente um termômetro para avaliar se um jogo está bem otimizado para a maioria dos usuários.

De maneira surpreendente, Mortal Shell II rodou de maneira surpreendentemente estável, com ajustes gráficos que se adaptam bem ao hardware, sem comprometer a atmosfera densa e a qualidade das animações. Claro que temos de ser sóbrios, o jogo não consegue ultrapassar as configurações médias no portátil, sendo o ideal, no baixo. mas de qualquer maneira, a experiência foi satisfatória, possibilitando ao jogador, desfrutar de Mortal Shell II sem problemas.

Os gráficos mantêm o clima de tensão, devastação e principalmente, imersão na escuridão

Nos gráficos, o jogo mostra avanços notáveis: texturas mais detalhadas, iluminação dinâmica e efeitos de partículas que reforçam a ambientação sombria. Mesmo no Steam Deck, esses elementos se mantêm presentes, ainda que em resoluções ajustadas para garantir desempenho. Mortal Shell II apresenta um desempenho gráfico bastante sólido, considerando as limitações do hardware portátil. Os granulados da imagem, que reforçam a atmosfera sombria e decadente do jogo, estão presentes de forma consistente, sem parecer exagerados ou artificiais. Isso ajuda a manter a identidade visual da franquia, mesmo em uma tela menor. Os borrões de movimento, aplicados durante ataques ou esquivas, funcionam bem e dão uma sensação de fluidez sem comprometer a clareza da ação, algo essencial em combates intensos.

Em telas maiores, Mortal Shell II deixa transparecer algumas fragilidades gráficas que no Steam Deck passam despercebidas. Os granulados, que funcionam bem na tela portátil, começam a se transformar em desfoques perceptíveis, especialmente em áreas mais escuras ou com iluminação dinâmica. Além disso, certos movimentos dos personagens geram sombras distorcidas, o que quebra um pouco a imersão quando observado em monitores de alta resolução. Esse detalhe mostra que o jogo ainda precisa de ajustes de renderização para se adaptar melhor a diferentes formatos de exibição.

Outro ponto importante é que aumentar as configurações gráficas além do nível médio não traz benefícios, pelo contrário, acentua os problemas visuais e compromete a estabilidade. No Steam Deck, a renderização em resolução nativa faz uma diferença enorme, garantindo que os elementos visuais mantenham sua nitidez sem sobrecarregar o hardware. E quando jogado na versão OLED do portátil, o resultado é ainda mais impressionante: cores ganham profundidade, os contrastes ficam mais marcantes e a atmosfera sombria do jogo se torna muito mais envolvente. O jogador encontrará, portanto, uma experiência visual consistente e imersiva no portátil, mesmo que em monitores maiores os defeitos fiquem mais evidentes.

Os reflexos também chamam atenção: em superfícies metálicas ou em poças d’água, eles aparecem com boa definição, ainda que simplificados para garantir estabilidade no desempenho. O jogador encontrará um equilíbrio entre fidelidade visual e otimização, com efeitos que não foram removidos, mas adaptados para rodar de forma estável no Steam Deck. Em resumo, graficamente o título consegue preservar sua atmosfera pesada e detalhada, oferecendo uma experiência imersiva sem sacrificar a jogabilidade portátil.

A direção artística continua sendo um dos pontos fortes, com cenários que transmitem a sensação de decadência e mistério, fundamentais para a proposta do jogo. Quem jogou o primeiro game notará que as características principais foram preservadas, mas os gráficos estão mais complexos, abrangentes e principalmente, detalhados, usando o realismo que agora, se torna característico Algumas áreas do jogo apresentam níveis de escuridão tão intensos que acabam prejudicando a leitura do cenário e dificultando a percepção de inimigos ou objetos importantes. Esse excesso de contraste, embora contribua para a atmosfera sombria, pode atrapalhar a jogabilidade em momentos críticos, especialmente em combates mais rápidos ou em ambientes fechados. Clarear o jogo ajuda.

Outro detalhe que merece destaque é o tamanho dos textos. Em uma tela menor como a do Steam Deck, certas legendas e menus aparecem reduzidos, exigindo esforço extra para leitura. Isso pode comprometer a fluidez da experiência, já que informações importantes — como descrições de itens ou instruções de interface — ficam menos acessíveis. Apesar disso, o jogo mantém sua identidade visual e mecânica, mas é evidente que ajustes de acessibilidade e calibragem de interface seriam bem-vindos para tornar a experiência mais confortável e inclusiva.

Mortal Shell II – Imagem capturada no Steam Deck

Mortal Shell II é mais técnico

Na jogabilidade, percebemos uma evolução no ritmo dos combates. Os movimentos estão mais responsivos, e a curva de aprendizado parece menos punitiva, sem perder o desafio característico da série. O controle no Steam Deck se mostrou confortável, com botões bem distribuídos e resposta precisa, o que ajuda a manter a imersão mesmo em sessões mais longas. Essa adaptação reforça que o jogo foi pensado para ser acessível em diferentes plataformas.

O combate está mais responsivo, mas continua sendo punitivo. Desde os primeiros combates o jogador notará que quanto mais rápido dominar a esquiva e o tempo de ataque, mais fácil as coisas vão ficar. O combate ainda é cadenciado e privilegia a estratégia. Mortal Shell II se distância ainda da ação. A arma secundária ganha ainda mais destaque, sendo primordial para combater alguns inimigos sem sofrer dano. O mesmo se aplica no combate a distância, pois alguns inimigos devem ser combatidos com estratégias que privilegiam os ataques a distância, ainda que seja com sua espada.

Como um legitimo soulslike, espere por um sistema de parry sofisticado e que exigirá treino. A técnica ganhou um protagonismo muito maior do que no primeiro jogo, tornando-se praticamente indispensável em certos confrontos. A mecânica foi refinada para ser mais responsiva e recompensadora, exigindo precisão, mas oferecendo vantagens claras quando executada corretamente. Contra inimigos mais agressivos, o parry não é apenas uma opção, mas sim uma ferramenta estratégica que abre brechas para contra-ataques devastadores, exigindo que o jogador domine a técnica minimamente.

Um exemplo marcante é o duelo contra o soldado que guarda a ponte. Nesse combate, a defesa tradicional não é suficiente para lidar com a força e a velocidade dos golpes. O parry se torna essencial para quebrar a defesa alta do inimigo. Essa mudança de foco na mecânica reforça a ideia de que o jogo valoriza a leitura dos movimentos adversários e recompensa o jogador que domina o tempo certo. Assim, o parry deixa de ser um recurso secundário e passa a ser um dos pilares da jogabilidade, elevando a profundidade estratégica dos combates.

O combate exige estratégia, dentro ou fora da Casca

No beta de Mortal Shell II estão disponíveis exatamente 4 cascas jogáveis, cada uma com estilo de combate distinto e habilidades próprias. Um detalhe interessante é a existência de uma Casca secreta, logo no início do beta. Como não queremos estragar sua experiência, não diremos onde ela está, mas vale a pena procurar, explore com cuidado e você será contemplado com esse acessório.

Além disso, há uma casca secreta escondida como item raro, que pode ser desbloqueada seguindo uma sequência específica. Elas continuam sendo um dos elementos centrais da identidade de Mortal Shell II, mas agora com uma importância ainda maior na dinâmica dos combates. A mecânica de perder a casca e tentar retornar a ela foi refinada, tornando-se mais ágil e menos punitiva. Quando o jogador é expulso, a sensação de vulnerabilidade é imediata, mas ao mesmo tempo existe uma oportunidade clara de recuperação, o que adiciona uma camada estratégica interessante. Essa transição entre estar protegido e exposto cria momentos de tensão que intensificam a experiência.

Fora da casca, o personagem fica muito mais vulnerável, já que perde boa parte da defesa e da resistência que a casca oferece. Cada golpe recebido nesse estado tem um peso maior, e a margem de erro praticamente desaparece. Essa vulnerabilidade, no entanto, não é apenas punitiva: ela cria momentos de alta intensidade, em que o jogador precisa se reposicionar com inteligência e buscar o timing certo para recuperar a casca.

A movimentação também transmite uma sensação diferente — mais leve e ágil, mas ao mesmo tempo arriscada. É como se o jogo incentivasse o jogador a usar esse estado como uma oportunidade de demonstrar habilidade, seja esquivando com precisão ou aproveitando brechas rápidas para contra-atacar. Essa dinâmica reforça a ideia de que estar fora da casca não é apenas um castigo, mas uma chance de virar o jogo, desde que se mantenha o controle da situação. Assim, Mortal Shell II transforma a perda da casca em um momento estratégico, que pode ser tanto um ponto de vulnerabilidade quanto uma oportunidade de recuperação e domínio sobre o combate, além de proporcionar uma nova forma de jogar.

Mortal Shell II — O que esperar?

O beta aberto de Mortal Shell II confirma que a sequência está evoluindo na direção certa, trazendo combates mais técnicos e intensos, com destaque para o uso estratégico das cascas e do parry. A narrativa ainda não está totalmente revelada, mas os objetivos iniciais sugerem uma progressão satisfatória dentro de um mundo sombrio e desafiador. Graficamente, o jogo mostra avanços importantes, adaptando-se bem ao Steam Deck, especialmente na versão OLED, onde os contrastes e cores ganham vida. No geral, o título promete agradar fãs de soulslike que buscam uma experiência imersiva, técnica e recompensadora.

Mortal Shell II está previsto para 2026 para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC (Steam).

Marcelo Souza

Apaixonado por jogos e consoles desde 1990. Quando não esta escrevendo em algum site de games, esta jogando ou ensinando o Felipe a jogar.

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