Ao lado dos Video Games praticamente desde a sua criação, o gênero shmup (shoot ‘em up) tem suas raizes profundas e uma legião de fãs conseguida através de grandes jogos lançados desde então. Desde os tempos de Space Invaders e Galaga, até clássicos modernos como Ikaruga, esse estilo de jogo conquistou uma legião fiel de fãs que buscam ação frenética, reflexos rápidos e aquela sensação de “um crédito a mais” para tentar superar a próxima onda de inimigos. Demon Protocol surge exatamente nesse espírito: um título que abraça a estética arcade retrô e entrega uma experiência direta, sem rodeios, onde o objetivo é simples e viciante — sobreviver às ondas, derrotar chefes de fase e ver os créditos no final de tudo.
Uma homenagem aos clássicos jogos de ‘navinha’ dos anos 80, agora reinventada com o apoio de ferramentas de inteligência artificial.
Jogos desenvolvidos por talentosos programadores solos não são mais uma novidade, ainda mais com a chegada da IA, que tem ajudado esses desenvolvedores a lançar jogos cada vez melhores e mais divertidos. Demon Protocol nasceu como uma homenagem aos clássicos arcades de tiro, criado de forma independente. O desenvolvedor deixa claro o uso das ferramentas de inteligência artificial para acelerar o processo criativo. Mesmo que muitos jogadores não gostem ou estejam acostumados com essas ferramentas, elas estão cada vez mais presentes no desenvolvimento dos jogos.
O jogo foi gerado através de ferramentas como Copilot e Claude que auxiliaram nas partes da programação e outras nos demais seguimentos do desenvolvimento. Nem de longe isso deveria ser um problema, pois aliada a criatividade, a IA é uma ferramenta incrível que com certeza, ajudará os desenvolvedores a criarem jogos cada vez mais divertidos e imaginativos. O jogo foi lançado em julho de 2026 na Steam, com preço acessível e foco em entregar uma experiência retrô direta e desafiadora.
Como um jogo que remete aos clássicos do gênero dos anos 80, o jogo não é direcionado para que o jogador tenha uma experiência narrativa. Em vez de contar uma trama ou construir personagens, o jogo aposta na estética retrô e na dinâmica de progressão arcade, lembrando os fliperamas em que a história era secundária ou inexistente. O “enredo” aqui é simbólico: você é o piloto enfrentando hordas demoníacas no espaço, mas sem cutscenes ou narrativa elaborada.
Além da proposta retrô, o jogo aposta em uma jogabilidade ágil e intensa, destacando-se pela progressão desafiadora que exige atenção irrestrita.
O primeiro aspecto que chama a atenção em Demon Protocol é o formato do seu projétil. Ele se projeta da sua nave como um disparo único, mas após de distanciar, ele se divide em dois disparos em formato de V. Como os tiros se abrem em ângulos, é mais difícil prever exatamente o que eles vão acertar, já que os inimigos também se movimentam na direção paralela.
Com uma visão vertical da tela, o jogador não terá muito espaço para se movimentar, podendo ir até as extremidades horizontais e um pouco antes do meio da tela verticalmente. Um avanço em relação a jogos como Space Invaders do Atari 2600 Essa limitação aumenta a dificuldade do jogo, pois alguns inimigos além de dispararem projéteis teleguiados, também podem se projetar na sua direção. Não poder se movimentar a nordeste ou noroeste livremente deixa as coisas difíceis na hora de desviar.

O ponto forte de cada nível, é o encontro com o chefe de fase. Eles ocupam boa parte da tela e possuem projéteis teleguiados enquanto atiram sem piedade. Cada um desses chefes possui características únicas, deixando o combate mais intenso e desafiador. Para enfrentar esses chefes e os inimigos comuns, você poderá coletar uma série de melhorias temporárias que ampliam o poder de fogo e a resistência do jogador, criando momentos de alívio em meio à intensidade crescente das batalhas. Derrotando os inimigos, você conseguirá deixar seu tiro mais rápido, com projéteis triplos e até mesmo, usar escudos, chegar no chefe da fase com um desses diferenciais fará toda diferença.
A alta dificuldade transmite a sensação de artificialidade devido as mecânicas pouco criativas.
Durante as batalhas contra os chefes, a tensão aumenta de forma significativa. O espaço para movimentar a nave é extremamente limitado, e isso transforma os disparos teleguiados em uma verdadeira armadilha. Não basta apenas desviar deles: você ainda precisa lidar com os disparos regulares que vêm em sequência, criando uma sensação constante de sufoco. Essa combinação eleva a dificuldade de maneira brutal, mas não por exigir estratégia refinada — e sim porque simplesmente não há espaço suficiente para escapar. O desafio, nesse caso, parece menos uma prova de habilidade e mais uma imposição artificial, já que muitas vezes o jogador é atingido por falta de opções, não por falta de reflexo ou planejamento.
Os power-ups entram como um respiro, mas sua duração é curta demais para fazer diferença real. O escudo é a única exceção, oferecendo uma proteção mais consistente, mas os demais se esgotam tão rápido que raramente ajudam em confrontos prolongados. Tomando os chefes como exemplo: mesmo que você colete uma melhoria segundos antes da luta, quando o combate começa ela já estará pela metade ou quase acabando. Seria natural esperar que o tempo de uso fosse pausado durante a introdução do chefe, mas isso não acontece, o que reduz drasticamente o impacto das melhorias.

Outro ponto é o sistema de vidas extras. Você pode conquistá-las ao acumular pontos, mas nunca terá mais de quatro disponíveis. Além disso, quanto maior a dificuldade escolhida, mais pontos são exigidos para ganhar uma vida, o que soa como mais uma forma de aumentar a dificuldade de maneira artificial. Em vez de recompensar o jogador por sua performance, o jogo parece limitar deliberadamente suas chances de sobrevivência.
No fim, algumas dessas escolhas passam a impressão de terem sido tomadas às pressas, sem considerar o equilíbrio entre desafio e diversão. Fica a dúvida se foram decisões conscientes do desenvolvedor ou se resultaram de sugestões automatizadas, talvez vindas de uma IA. O resultado é um jogo que, em certos momentos, desafia menos pela complexidade e mais pela falta de espaço e recursos, criando uma dificuldade que parece forçada em vez de natural.
Com uma trilha sonora inspirada, as batalhas de Demon Protocol ganham uma intensidade muito maior
Poucos jogos conseguem entregar uma trilha sonora tão inspirada e, acima de tudo, tão adequada ao que acontece na tela. Em Demon Protocol, cada batida eletrônica e sombria acompanha o ritmo frenético das batalhas, intensificando a sensação de urgência. O som não é apenas um pano de fundo: ele funciona como uma extensão da própria jogabilidade, mantendo o jogador em constante estado de alerta e imersão.
Apesar de não oferecer uma grande variedade de faixas, a trilha sonora compensa com qualidade e propósito. Cada música cria uma atmosfera densa e envolvente, que se encaixa perfeitamente no estilo claustrofóbico e desafiador do jogo. É como se o áudio fosse mais uma camada de dificuldade, pressionando o jogador a se manter atento e focado. Nos confrontos contra os chefes de fase a experiência atinge outro nível. Cada encontro é acompanhado por um tema exclusivo, que reforça a identidade do inimigo e torna o combate ainda mais memorável. Esses momentos não apenas elevam a tensão, mas também transformam a luta em um espetáculo audiovisual.
Grande parte desse impacto se deve ao trabalho de Sasikumar B., compositor responsável pela trilha sonora. Músico indiano com experiência em criar atmosferas intensas e sombrias, Sasikumar já havia trabalhado em outros projetos de suspense e terror, o que lhe deu a bagagem necessária para traduzir em música o tom opressivo de Demon Protocol. Sua assinatura sonora é marcada por sintetizadores pesados, batidas eletrônicas pulsantes e uma construção que valoriza o suspense e a tensão.
Como um título indie, Demon Protocol se sai muito bem no Steam Deck
Sempre que vamos avaliar um jogo para PC ressaltamos como o Steam Deck tem se mostrado uma plataforma versátil para rodar jogos de diferentes estilos, e Demon Protocol não fica atrás. Mesmo sem o selo oficial Steam Deck Verified, o título apresenta ótima performance no portátil da Valve, garantindo uma experiência fluida e envolvente.
O jogo roda acima de 60 FPS em resolução nativa, mesmo em configurações altas. A arquitetura RDNA 2 da GPU e o processador Zen 2 do Steam Deck dão conta do ritmo frenético das batalhas sem engasgos. Mesmos nos momentos de maior intensidade, você não notará qualquer queda na qualidade do jogo, mesmo quando você mantém o jogo a 60 FPS.
A atmosfera sombria e claustrofóbica de Demon Protocol ganha ainda mais impacto no Steam Deck. Jogar com fones de ouvido potencializa a trilha sonora, transformando cada batalha em um espetáculo audiovisual. A portabilidade permite que o jogador mergulhe nesse universo intenso em qualquer lugar, sem perder qualidade.
Demon Protocol — Vale a pena?
Através da sua ambientação clássica e da proposta puramente árcade, Demon Protocol é um jogo que deve agradar entusiastas de Shmups, principalmente os que cresceram jogando nos fliperamas dos anos 80 começo dos 90. Infelizmente, o jogo tropeça em alguns aspectos da dificuldade. Usar projéteis teleguiados em um jogo onde a área de movimentação da nave é limitada não foi uma boa escolha. O destaque é a trilha sonora, ela leva o jogador pela mão e instiga a se jogar uma partida a mais. A ambientação também é divertida, ainda que seja bem simples. Demon Protocol é só mais um shmup no catálogo da steam, mas nem de longe, isso faz dele um jogo ruim.
REGULAR
Com uma proposta genuinamente árcade e gráficos retrô, espere por uma dificuldade elevada e uma trilha sonora marcante.Pontos positivos👍.
- Jogabilidade árcade.
- Partidas rápidas.
- Trilha sonora marcante.
Pontos negativos👎.
- Dificuldade elevada.
- Limitação de movimentação.
- Uso da IA pode afastar jogadores.




