Com uma abordagem investigativa e muito suspense, Radiolight promete prender a atenção do jogador em um thriller de exploração focado na narrativa, enquanto ele explora diversos ambientes e situações em busca de um adolescente desaparecido. O jogo da desenvolvedora Krystof Knesl, que não por acaso, é o único membro da desenvolvedora, demonstrando uma criatividade aguçada. O jogo foi publicado em parceria com a publisher Iceberg Interactive. Vamos conhecer um pouco mais do jogo nessa review feita para você, leitor do Games Ever!
Em setembro de 1995…
Em Radiolight você dará vida a Ethan, um policial que atua na pitoresca cidade de Ashwood Creek — um lugar onde as árvores sussurram, as montanhas se erguem e segredos se escondem fora de vista. O que começa como uma investigação rotineira rapidamente se transforma em uma jornada assombrosa pelo desconhecido. A narrativa começa de uma maneira bem comum, com Ethan em sua casa, em mais um dia comum onde ele tenta colocar freios em Mia, sua filha adolescente.
Sua aventura está focada em encontrar um adolescente desaparecido, Eliot Laire, ele desapareceu na cidade de Ashwood Creek. A pacata cidade parece congelada no tempo, intocada pelo caos do mundo exterior. Mas por baixo desse tédio e calmaria, algo sombrio está acontecendo, despertando. Após o desaparecimento de Laire, um sinal estranho começa a ser transmitido nas estações de rádio locais. Atraído mais fundo no Parque Nacional Ashwood Creek, você precisará sintonizar todas as frequências e todos os ecos do passado na esperança de descobrir a verdade.

Como ponto central do jogo, a narrativa é importante e mantém o jogador, na maior parte do tempo, interessado no que acontecerá em seguida. Com a ajuda do seu parceiro de investigação que atua apenas pelo rádio transmissor, você mergulhará na narrativa. As coisas ficam ainda mais interessantes quando seu parceiro começa a transparecer mudanças, no mínimo, intrigantes a cada transmissão. O desaparecimento do garoto toma outras proporções conforme você avança no jogo. A mudança drástica na direção da narrativa é o ponto forte do jogo, surpreendendo o jogador que não estiver mais atento aos acontecimentos e nuances.
Não se deixe levar pela paisagem
Como um jogo investigativo, Radiolight fará você explorar locais detalhados, seja em ambientes fechados ou abertos, induzindo o jogador a bisbilhotar todos os cantos. Logo no começo você já percebe isso, podendo interagir com os objetos. O jogo passa uma sensação de realidade, principalmente nos comportamentos do protagonista, seja se alimentando ou usando o rádio para comunicar detalhes do que está acontecendo. O seu comportamento com seu companheiro de investigação tenta ser o mais realista possível, trazendo nuances de desconfiança, usando até mesmo a dublagem para causar uma impressão dúbia.

Conforme você explora o parque, se envolverá cada vez mais em um ambiente calmo, mas com um clima inquietante, digno dos bons filmes de suspense, onde nada está errado, mas você sabe que algo está errado, só não sabe onde. Você terá de explorar com atenção para não deixar nenhum detalhe passar desapercebido. Essa junção de situações revela um jogo com uma ambientação interessante onde o medo não é o principal elemento, mas sim a apreensão. Essa sensação não demora a acontecer, e em alguns minutos, o jogador mais atento estará envolvido.
Um ponto que achei que poderia ter se saído melhor é a iluminação, não que ela seja falha, mas não causa a mesma impressão da narrativa, muitas vezes, quebrando uma certa tensão que a narrativa e os gráficos tentam passar. A névoa serve tanto para transmitir a sensação de ameaça quanto para esconder as limitações do jogo. As árvores também tem seu papel em transmitir medo e insegurança, tudo funciona muito bem, mas confesso que o clima de tensão poderia ser mais pesado.
Vale ressaltar que parte dessa ambientação é usada propositalmente pela desenvolvedora para criar o clima referente a época em que o jogo se passa, em 1980. O interessante é que caso o jogador não tenha tido experiências com outros jogos que tentam transmitir essa impressão, tudo passará desapercebido, pois as referências são sutis e delicadas. Radiolight é um game com uma produção e uma direção de arte mais sensível que direta, e isso funciona muito bem.

Explore em todos os lugares
Ainda que jogamos Radiolight no monitor, confesso que o jogo tomou outras proporções quando joguei no Steam Deck. Radiolight é um jogo curto, mesmo que você não saiba o que fazer, dificilmente ele durará mais de seis horas de jogatina. Entretanto, ele funciona muito bem como um jogo para ser explorado em um sofá ou até mesmo na cama no fim de um dia chato.
O game está listado como aprovado no PC portátil da Valve e roda sem nenhum problema, com quadros constantes e sem nenhum travamento. A narrativa envolvente e o estilo investigativo se adaptam bem ao formato portátil, permitindo jogar em sessões curtas ou longas. O sistema de controles é simples e funciona muito bem no Steam Deck, algumas situações podem exigir mais prática do jogador, mas são momentos bem pontuais.
Se você pretende jogar Radiolight no Steam Deck, a resolução de 1280 com qualidade gráfica média e texturas altas resultam em uma experiência sem problemas. Se estiver com um PC portátil mais robusto, espere por uma experiência sólida e cheia de diversão, livre de qualquer travamento ou quedas de FPS, principalmente a 60 FPS.
Radiolight — Vale a Pena?
Oferecendo uma experiência intrigante com um formato thriller, Radiolight é um game divertido e com um terror coerente e sensível. Entregando uma exploração simples mais funcional, o jogador não será surpreendido, mas terá bons motivos para não deixar o jogo.
ÓTIMO
Espere por uma experiência psicológica sombria e intensa, mas sem deixar a sensibilidade e a sensação de thriller de lado.
Pontos positivos.
- Ainda que linear, a exploração não passa essa sensação.
- Gráficos funcionais.
- Otimizado para PCs portáteis
Pontos negativos.
- Alguns efeitos de luz deixam a desejar.
- Falta de localização para o português.
- Início da narrativa é lento.




