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2nd EVE | REVIEW

Em meio a revolta das máquinas e um evento trágico no universo, salve o que sobrou da humanidade durante uma viagem espacial.

O gênero soulslike se consolidou tão rapidamente que parece estar presente há décadas, mesmo sendo relativamente novo. Desde que Demon’s Souls abriu caminho para experiências desafiadoras e atmosféricas em 2009, inúmeros títulos buscaram reinterpretar ou expandir essa fórmula. Alguns se mantêm fiéis às raízes, outros arriscam misturar elementos e criar algo único. É nesse contexto que surge 2nd EVE, um jogo de ação com exploração lateral da desenvolvedora Gamer Cloud, que também incorpora elementos do gênero soulslike. Confira nossa análise completa do jogo e saiba o que esperar de 2nd EVE.

Uma nave com restos da humanidade – USCSS Covenant é você?

2nd EVE aposta em uma trama de ficção científica com pitadas de mistério, ambientada na imponente nave-colônia Argos. O ponto de partida é um desastre cósmico: a Lua se afasta de sua órbita após uma catástrofe, colocando a Terra em risco de se tornar um planeta sem vida. Para evitar a extinção, três naves coloniais são enviadas em direção a Próxima B, planeta considerado habitável e a última esperança da humanidade. No entanto, como em todo bom enredo de ficção sombria, as coisas não saem como planejado. Durante o salto da Argos para o hiperespaço, a realidade se fragmenta e o caos toma conta da tripulação.

É nesse cenário que surge a protagonista, Irmã Superior Zola, uma figura de fé e disciplina que precisa enfrentar não apenas os colonos corrompidos, mas também os próprios sistemas da nave, que se voltam contra os sobreviventes. Essa é a premissa da narrativa que acompanhará você por todo o jogo sem mudanças bruscas. Enquanto avança pelos corredores distorcidos da Argos, o jogador encontra arquivos e registros que revelam fragmentos do que realmente aconteceu. Essa mecânica de descoberta cria uma atmosfera de mistério, mas exige paciência: a narrativa é entregue em pedaços, e cabe ao jogador montar o quebra-cabeça. Apesar da premissa interessante, a história de 2nd EVE não consegue manter o impacto por muito tempo.

Mesmo com tradução para o português, a imersão acontece de maneira muito frágil. Confesso que em alguns momentos, percebi uma linguagem pouco natural, mesmo que para uma tradução de texto. Talvez a percepção de quem domina o inglês perfeitamente seja diferente. Dentro dos foruns de discussões do site na steam, a desenvolvedora revelou que usou IA generativa para criar os diálogos. De fato, o uso do recurso ficou evidente em muitos momentos, e infelizmente, o impacto e percepção são negativos.

Gráficos bem definidos mostram cuidado e direcionamento correto

Os gráficos são, sem dúvida, o grande destaque do jogo. A desenvolvedora conseguiu criar cenários ricos em detalhes, com texturas bem trabalhadas e uma paleta de cores que transmitem personalidade e atmosfera própria. Cada elemento visual parece ter sido cuidadosamente planejado para reforçar a imersão, desde os ambientes mais amplos até os pequenos objetos que compõem o cenário. Além disso, a direção artística demonstra uma identidade marcante, diferenciando o título de outros indies do mesmo gênero. As escolhas visuais não apenas tornam o jogo atraente, mas também ajudam a contar a história e a transmitir emoções ao jogador.

Essa atenção ao aspecto gráfico coloca a obra em um patamar elevado, tornando-a uma das experiências visuais mais interessantes dentro do universo indie atual. Os efeitos de iluminação desempenham um papel essencial na construção da atmosfera do jogo. Eles não apenas reforçam a sensação de ameaça e desolação, como também criam um contraste marcante e sombrio. Essa escolha estética transmite ao jogador a impressão de estar em um mundo hostil e imprevisível, mas sem comprometer a fluidez da experiência.

A iluminação dinâmica contribui para a narrativa visual, destacando elementos importantes do cenário e guiando o olhar do jogador de forma natural. Os efeitos de luz também destacam o combate do jogo, principalmente quando você usa algum movimento especial ou está diante de um inimigo pontual, como os chefes de área. Esse equilíbrio entre atmosfera sombria e dinamismo visual é um dos pontos que tornam o jogo mais atraente, mostrando como a desenvolvedora soube usar a iluminação não apenas como recurso técnico, mas como ferramenta narrativa e estética. Em termos sonoros, não há muito o que destacar, as músicas e efeitos sonoros cumprem o papel em mater o jogador preso a narrativa e principalmente, imerso na ambientação, é algo que somente existe e deve passar desapercebido.

Em termos de desempenho, 2nd EVE se sai muito bem mesmo em configurações mais modestas. O jogo se sai muito bem rodando a 30 FPS e 720p mesmo em configurações modestas. Se você possui um equipamento mais robusto, o jogo rodará a 60 FPS e 1080p sem qualquer problema de desempenho. Se você pretende jogar em algum PC portátil, não terá problemas, pois o jogo certificado pela Valve, rodando no Steam Deck a 30 FPS em 1080p em configurações médias. O design pode ficar um pouco prejudicado devido ao tamanho da tela, mas não compromete a diversão no geral.

Vencer os combates exige exploração e obtenção de melhorias

Como um jogo que se identifica como um soulslike, a curva de dificuldade é acentuada e o jogador não terá muito espaço para sofrer dano. Mesmo no começo do jogo, alguns golpes são suficientes para fazer você voltar ao início do jogo ao último ponto de controle. O jogador que notar a mecânica do jogo terá uma experiência mais divertida. Os combates são pontuais, é nesse momento que você terá de aplicar o recurso mais importante do jogo, o parry. A verdade é que o que mais aproxima o jogo do gênero soulslike é esse sistema, pois sem ele, você não conseguirá transpor alguns inimigos pontuais.

A progressão do jogo está relacionada muito mais a exploração que ao combate. Os inimigos oferecem a resistência para que você não consiga as melhorias ou cumpra os objetivos no jogo. Entretanto, mesmo que você jogue de maneira desatenta e somente verificando o mapa em determinados momentos, conseguirá progredir da mesma forma. Eu realmente gostaria de ver um pouco mais de profundidade na exploração, como por exemplo, a inserção de puzzles mais complexos e interligados.

Os inimigos apresentam padrões de ataque que exigem atenção e estratégia, já que avançar de forma descuidada, como se fosse apenas um jogo de plataforma, dificilmente trará bons resultados. O combate, apesar de satisfatório, sofre com a repetição: os inimigos tendem a repetir movimentos previsíveis, com pouca variação, o que pode reduzir a sensação de desafio ao longo da jornada. Durante a exploração, há recompensas que tornam a progressão mais interessante. Itens coletados podem ser usados como acessórios e aprimoramentos, fortalecendo os atributos da protagonista. Essas melhorias vão desde a liberação de novos ataques até o aumento da eficiência na recuperação de pontos de vida.

O exoesqueleto, por sua vez, é um recurso central que pode ser aprimorado com upgrades obtidos ao longo da aventura. Esse processo é realizado em terminais específicos, onde o jogador utiliza as cinzas deixadas pelos inimigos derrotados para investir em melhorias e expandir suas capacidades. As batalhas contra chefes de área se destacam como momentos-chave do combate. Elas obrigam o jogador a aplicar tudo o que aprendeu, aproveitando os recursos coletados e aprimoramentos adquiridos para superar desafios mais complexos. No entanto, mesmo sendo fortes e exigindo estratégia, esses chefes não conseguem transmitir plenamente a sensação de intimidação que se espera de encontros desse porte.

Ainda assim, o jogo compensa com uma estrutura generosa de pontos de controle, permitindo salvar o progresso com frequência e reduzindo a frustração em caso de derrota. Além disso, o mapa é funcional e bem projetado, oferecendo clareza sobre os objetivos e caminhos a seguir. Essa combinação de acessibilidade, progressão e desafio cria uma experiência equilibrada, ainda que com algumas limitações na variedade dos inimigos e na intensidade das batalhas contra chefes.

Acesso Antecipado

Criar um jogo com identidade própria dentro de um gênero tão consolidado como o soulslike é um desafio que exige ousadia, visão artística e coragem para se afastar das fórmulas já consagradas. Nesse contexto que surge 2nd EVE, ainda em acesso antecipado, mas já demonstrando sinais de uma obra que busca se destacar. Esse estágio de desenvolvimento abre espaço para que a equipe criativa refine e intensifique os elementos que tornam a experiência singular: seja na atmosfera, na narrativa ou nas escolhas estéticas que moldam o universo do jogo.

Em vez de se limitar a ser “mais um soulslike”, 2nd EVE se apresenta como uma tentativa de expandir os horizontes do gênero, convidando o jogador a mergulhar em uma jornada marcada por personalidade, risco e autenticidade. Uma boa implementação seria a adição das conquistas, pois até o momento dessa review, elas ainda não tinham sido implantadas, ainda que a comunidade do jogo já tenha se manifestado sobre o assunto.

Ademais, após jogar 2nd EVE e lembrar que ele está no acesso antecipado é reconfortante, pois o jogo oferece uma visão muito definida do que a desenvolvedora deseja criar e principalmente, aonde quer chegar. Não seria surpreendente se o jogo fosse lançado e as demais melhorias chegassem através de patchs. Colocar o jogo no acesso antecipado só enfatiza a segurança da desenvolvedora no projeto que ela criará e no conceito que 2nd EVE já criou. Segundo a Gamer Cloud, o jogo deve ficar de 10 a 12 meses no acesso antecipado, entretanto, eu realmente não consigo imaginar que um jogo tão polido fique tanto tempo nesse formato.

2nd EVE – Vale A Pena?

Definitivamente, ainda que em acesso antecipado, 2nd EVE é um jogo que deve ser conferido, principalmente por estar muito bem polido. Se você é fã do gênero soulslike e procura por novas formas de jogar, 2nd EVE agradará você. Com uma proposta bem definida, você passará a maior parte do tempo explorando e coletando melhorias. A dificuldade é alta, mas não é desbalanceada, mantendo o jogador interessado. O foco do combate é baseado no parry e na obtenção de melhorias, os chefes exigem estratégia, mas não intimidam tanto quanto esperado. Ademais, a exploração é mais relevante que o combate, embora careça de puzzles mais complexos. 2nd EVE é um game coeso e muito bem direcionado, deixando boas impressões sobre o que está por vir.

7.9
2nd EVE
NOME DO JOGO

BOM

2nd EVE, mesmo em acesso antecipado, é polido e coeso. Soulslike desafiador, foca em exploração, melhorias e parry estratégico. Chefes exigem tática sem intimidar excessivamente.

Pontos positivos.

  • Gráficos bem definidos e detalhados.
  • Combate balanceado com foco no parry e upgrades.
  • Progressão privilegia a exploração.

Pontos negativos.

  • Dublagem e textos artificiais.
  • Inimigos repetitivos.
  • A impressão de uso de IA.
Jogo foi avaliado mediante cópia cedida pela desenvolvedoraGamer Cloud.

Marcelo Souza

Apaixonado por jogos e consoles desde 1990. Quando não esta escrevendo em algum site de games, esta jogando ou ensinando o Felipe a jogar.

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