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Bring the Rift | REVIEW

Um bom puzzle que combina narrativa e modos criativos, oferecendo uma experiência rápida e envolvente.

Jogos de puzzle inspirados em Tetris nunca foram febre passageira, mas sim um fenômeno duradouro. Desde o seu surgimento, eles conquistaram espaço próprio dentro da indústria dos games, popularizando os jogos entre as pessoas que nunca foram entusiastas e continuam relevantes até hoje. Mais de quatro décadas após Alexey Pajitnov criar o clássico Tetris, esse tipo de puzzle segue atraindo jogadores de diferentes idades e perfis, mantendo uma base fiel e ao mesmo tempo conquistando novos públicos. A simplicidade das regras, combinada com a profundidade estratégica, garante que a experiência seja sempre desafiadora, viciante e simples.

Atenta a esse público apaixonado por puzzles, o desenvolvedor YukiShiroDev decidiu investir de maneira solo em uma proposta que mistura tradição e inovação. O estúdio está lançando Bring the Rift, um título que se inspira diretamente na jogabilidade clássica criada por Pajitnov, mas que adiciona novos elementos para tornar a experiência mais competitiva e estratégica. A ideia é oferecer não apenas o prazer de encaixar peças e limpar linhas, mas também criar um ambiente em que os jogadores possam medir suas habilidades uns contra os outros, explorando diferentes táticas e estilos de jogo.

Uma aventura com muitas escolhas

Bring the Rift é muito mais que um jogo de encaixar peças e criar estratégias para superar o adversário em uma disputa pela vitória. Embora a mecânica principal esteja centrada na clássica ideia de posicionar blocos de forma inteligente, o título vai além ao oferecer uma narrativa envolvente, criativa e cheia de múltiplas escolhas que influenciam diretamente o rumo da aventura. O modo campanha, dividido em 10 capítulos, apresenta uma história marcada por desafios, momentos de superação e descobertas inesperadas. Logo no início, o jogador se vê diante de uma situação dramática: uma amiga próxima é sequestrada por uma gangue cruel e perigosa, e cabe a você embarcar em uma jornada para resgatar a garota, enfrentando obstáculos e inimigos pelo caminho.

No entanto, o que começa como uma trama aparentemente simples sobre coragem, amizade e heroísmo local, rapidamente se transforma em algo muito maior e mais complexo. A narrativa ganha uma nova dimensão quando uma divindade de outro mundo invade nosso planeta, mudando completamente o tom da aventura. A partir desse ponto, prepare-se para mergulhar em uma história repleta de reviravoltas inesperadas, dilemas morais e escolhas difíceis que podem alterar o destino dos personagens. Cada decisão tomada abre diferentes pontos de vista e caminhos narrativos, garantindo que a experiência seja única para cada jogador. Combinando ação, estratégia e uma trama surpreendente, Bring the Rift promete entregar uma jornada intensa e memorável, capaz de prender a atenção do público até o último capítulo.

Inserir uma narrativa abrangente em um puzzle é um recurso que ajuda imensamente a manter o jogador envolvido e interessado na experiência. Não se trata apenas de jogar para vencer ou superar desafios, mas de sentir que existe uma história maior acontecendo por trás de cada ação. Em diversas ocasiões, percebi que continuava jogando não apenas pela mecânica divertida, mas principalmente para descobrir o que aconteceria nos próximos capítulos da trama. Essa curiosidade constante cria uma sensação de expectativa que prende o jogador e o motiva a seguir em frente. Além disso, o jogo não se limita a contar uma história linear e fixa. Ele oferece ao jogador a possibilidade de tomar decisões que influenciam diretamente o desfecho da narrativa e novos desafios entre os personagens do jogo.

O jogo conta com o formato de sagas, e cada saga contém várias batalhas com personagens variados. Entretanto, o sistema me pareceu um pouco confuso. você pode escolher qualquer combate de uma saga, fora de uma ordem cronologia, somente o último capítulo de cada saga estará bloqueado, ficando disponível após você terminar todos os capítulos anteriores. Se você precisa terminar todos os capítulos da saga para acessar o último, por que não manter uma ordem cronológica baseada no avanço? Além disso, poder acessar qualquer capítulo acaba quebrando o impacto da narrativa, pois o jogador pode avançar no jogo sem ter de passar pelas fases e consequentemente, pela narrativa de forma fluida.

Ademais, essas escolhas não são meros detalhes, mas sim pontos cruciais que podem alterar o rumo dos acontecimentos e até mesmo o destino dos personagens. Isso faz com que cada partida seja única e desperte o desejo de explorar diferentes caminhos. Muitas vezes, o jogador se pega imaginando como seria a história se tivesse escolhido outra opção, e essa curiosidade gera vontade de voltar ao jogo para experimentar novas possibilidades. É justamente esse elemento de múltiplas escolhas que torna a narrativa ainda mais envolvente.

A beleza dos blocos coloridos

Em termos de gráficos, o jogo segue o padrão já estabelecido por outros títulos do gênero, apresentando blocos coloridos que se destacam pela simplicidade e algumas animações ocasionais quando eles são destruídos. Vale ressaltar que os blocos sofrem variações conforme você avança na história, bem como o personagem que você está jogando ou enfrentando. Essas variações são cabíveis, principalmente porque definem o momento em que você está no jogo.

Essa escolha visual cumpre bem o papel de tornar a experiência clara e funcional, sem comprometer a jogabilidade. A tela de fundo, por sua vez, é animada e harmoniza com os elementos principais, criando uma atmosfera coerente com o que vemos em cena. No entanto, não há como negar que uma animação mais elaborada poderia enriquecer bastante a imersão. Com o passar do tempo, jogadores mais atentos podem sentir uma certa monotonia, já que o fundo não apresenta variações significativas ou detalhes que despertem curiosidade. Essa repetição visual acaba reforçando a sensação de que o jogo poderia ousar mais nesse aspecto, oferecendo pequenas mudanças ou efeitos dinâmicos que mantivessem o cenário vivo e interessante ao longo das partidas.

Sempre que o jogador vence uma partida, o jogo insere uma transição narrativa que busca dar continuidade à história e aprofundar o envolvimento com os personagens. A ideia é interessante, pois evita que o título se reduza apenas a uma sequência de combates, mas a execução apresenta limitações. Os gráficos pixelados têm boa definição e funcionam dentro da proposta retrô, mas não chegam a surpreender: falta variedade nas expressões e nos cenários, o que torna a experiência previsível após algumas horas de jogo. O formato em quadros narrativos, que impede a visualização completa dos personagens, acaba restringindo a imersão, mesmo com as pequenas animações nas falas que tentam compensar essa ausência.

O ponto mais positivo está na mecânica de escolhas durante essas transições, que realmente adiciona uma camada estratégica e dá ao jogador a sensação de moldar o rumo da história. No entanto, essa promessa de abrangência narrativa poderia ser mais ambiciosa: muitas das decisões levam a caminhos que se repetem ou que não oferecem impacto significativo na trama. Assim, o recurso, embora bem-vindo, corre o risco de parecer superficial. Em resumo, as transições cumprem seu papel de dar ritmo e contexto, mas deixam a impressão de que poderiam ser mais ousadas, tanto visualmente quanto narrativamente, para sustentar o interesse do jogador em longo prazo.

Blocos (quase) para todos

O modo multiplayer de Bring the Rift oferece duas opções básicas: enfrentar a CPU ou jogar contra um amigo localmente. Essa funcionalidade garante alguma variedade e prolonga a vida útil do jogo, mas não chega a ser um diferencial marcante. A ausência de um modo online é sentida, sobretudo porque o gênero naturalmente se beneficia de partidas competitivas em rede, ampliando a comunidade e a longevidade da experiência. Ainda que seja compreensível diante do escopo do projeto — afinal, trata-se de um título indie desenvolvido por apenas uma pessoa — a limitação acaba restringindo o alcance do jogo e reforça sua natureza mais experimental. O resultado é um multiplayer funcional, mas modesto, que cumpre o papel de oferecer alternativas ao jogador sem realmente expandir o potencial competitivo.

O modo arcade de Bring the Rift busca oferecer uma experiência mais intensa, colocando o jogador sob constante pressão: perder significa o fim imediato da partida. Essa proposta, em teoria, adiciona tensão e valoriza cada combate, mas na prática não traz nada de realmente inovador. A possibilidade de escolher a dificuldade, os efeitos aplicados na partida e o número de combates é funcional, mas pouco surpreendente, já que são opções comuns em jogos do gênero. A inclusão da escolha das mecânicas de combate — poderes, rifts, ambos ou nenhum. Não há recompensas exclusivas, progressão diferenciada ou elementos que incentivem o jogador a retornar repetidamente.

O modo Extra de Bring the Rift surge como uma tentativa de oferecer variedade, reunindo diferentes tipos de partidas que exploram elementos já presentes no jogo, como poderes e rifts. Há até propostas curiosas, como o modo reverso, em que o jogador fica proibido de realizar hits, criando desafios peculiares. Essas ideias funcionam como experimentos divertidos para quem busca uma experiência diferenciada, seja aumentando a dificuldade ou simplesmente alterando a dinâmica do combate. No entanto, apesar de cumprir esse papel de “variação”, é uma experiência que pode entreter momentaneamente, mas que não sustenta o interesse em longo prazo.

Feito para dispositivos móveis

Quem nunca se pegou jogando um puzzle de blocos em momentos de espera, seja na fila do banco, no consultório médico ou até mesmo em uma pausa rápida no dia a dia? Esse tipo de jogo sempre teve um apelo especial justamente por se encaixar tão bem em situações cotidianas. Nesse contexto, Bring the Rift ganha ainda mais força quando jogado em PCs portáteis, como o Steam Deck, plataforma em que realizamos boa parte da nossa análise. A experiência se mostrou bastante satisfatória: os controles respondem bem, a tela oferece a clareza necessária para acompanhar cada detalhe e a fluidez da jogabilidade não se perde fora do ambiente tradicional de uma TV ou monitor de mesa.

Em um ambiente externo, o jogo amplia as possibilidades de uso e reforça sua vocação para sessões rápidas e casuais, sem perder o charme competitivo. É justamente nesse formato portátil que Bring the Rift revela seu potencial: um puzzle que pode acompanhar o jogador em qualquer lugar, mantendo o mesmo nível de diversão e desafio, seja em deslocamentos, intervalos ou momentos de lazer mais descontraídos.

Bring the Rift – Vale a Pena?

Influenciado pela fórmula de Tetris, Bring the Rift é um jogo divertido que consegue manter o jogador interessado durante um bom tempo. Esse interesse acontece devido a história inserida no jogo, que apesar de pouco profunda, é muito bem escrita e consegue transmitir valores como determinação e amizade. Além disso, o modo multiplayer local coloca mais longevidade ao jogo, o ideal seria um modo online, quem sabe no futuro. Os demais modos, apesar de serem muito parecidos, conseguem aumentar a experiência do jogador. Ademais, o sistema de sagas poderia ser mais trabalhado, permitir jogar capítulos fora de ordem quebra a fluidez narrativa e diminui o impacto dramático.

Bring the Rift é um jogo divertido que agradará quem procura um jogo no formato tetris, mas sem as complicações que alguns jogos atuais do gênero exigem do jogador. A experiência já conhecida em parceria com a narrativa simples e direta, fazem do jogo uma ótima alternativa para uma partida leve e descontraída, ou uma brincadeira com quem não gosta muito de games, mas com certeza, gosta de tetris, afinal, quem não gosta de tetris, ou seja, quem não gostaria de Bring the Rift?

6.5
Bring the Rift
NOME DO JOGO

BOM

Inserindo uma narrativa e diversos modos de jogo ao clássico estilo, Bring the Rift é um jogo que compre a promessa de distração e diversão rápida.

Pontos positivos.

  • A narrativa prende o jogador.
  • Diversos modos de jogo para explorar.
  • Modo multiplayer local.

Pontos negativos.

  • Modo campanha pode ser cumprido aleatoriamente.
  • Modos de jogo não diferem o suficiente para empolgar.
  • Um multiplayer online faz falta.
Jogo foi avaliado mediante cópia cedida pela desenvolvedora YukiShiroDev.

Marcelo Souza

Apaixonado por jogos e consoles desde 1990. Quando não esta escrevendo em algum site de games, esta jogando ou ensinando o Felipe a jogar.

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