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Ys X: Proud Nordics | REVIEW

Versão aprimorada tenta atrair novos jogadores mas não consegue apagar as primeiras impressões do jogo base.

A franquia Ys é uma das mais tradicionais do gênero RPG, joguei a maioria desses jogos nas mais variadas plataformas desde o Super Nintendo. A maioria dos jogos foram boas experiências, ressaltando principalmente Ys Origins e Ys VIII: Lacrimosa of DANA, nesse último, principalmente por jogar muito no saudoso PlayStation Vita. Alguns anos atrás, tivemos o lançamento de Ys X: Nordics e, bem, apesar de ser um bom jogo, as críticas foram mistas, tanto da imprensa especializada quanto dos fãs como eu. De qualquer forma, Ys X: Nordics faz parte de um passado que pode ser revisitado a qualquer momento, mas talvez você não queira fazer isso após o lançamento de Ys X: Proud Nordics.

A ideia de lançar um jogo melhorado que faça justiça à franquia Ys é louvável e Ys X: Proud Nordics consegue melhorar muito a experiência do jogo base, mas ainda assim não deixa de causar uma certa confusão entre os fãs menos fervorosos. Isso porque faz menos de um ano que o jogo base foi lançado. Além disso, outras peculiaridades tornam as coisas ainda mais confusas, me refiro ao jogo não estar sendo lançado para PlayStation 4, nem como uma possibilidade de DLC ou Patch, ainda que o jogo base tenha sido. Ademais, vamos explorar Ys X: Proud Nordics aqui e saber o que há de melhor (e de pior) nessa aventura nórdica.

Ys X: Proud Nordics — Se tornando o que deveria ser

Podemos dizer que o jogo aumenta em muito a experiência em relação ao jogo básico. Entretanto, a adição de novos personagens enriqueceu a narrativa, ainda que de maneira bem suave. A história continua a mesma, contada da mesma maneira e no mesmo ritmo, que para meu gosto, é um pouco lento.

A história de Ys X: Proud Nordics segue o tradicional protagonista da série, Adol Christin, acompanhado de seu amigo Dogi e do doutor Flair Rall. Tudo começa quando, em busca de uma planta rara que dizem poder curar qualquer doença, os aventureiros saem em um navio rumo à floresta de Celceta. Eles acabam entrando em águas controladas pela Força Marítima Balta, uma frota nórdica que domina o Golfo Obélia. Após um conflito, o grupo é levado à vila portuária de Carnac, onde Adol encontra uma misteriosa concha que transmite a voz de uma mulher solicitando ajuda.

Confesso que não me senti atraído pela narrativa. A verdade é que a franquia Ys nunca foi conhecida pela sua narrativa profunda ou desenvolvimento de personagens marcantes. A longevidade da franquia está mais relacionada à estabilidade da qualidade balanceada de todos os jogos, nunca sendo ruim, mas nem sendo espetacular. Isso se aplica a Ys X: Proud Nordics novamente. Após aprender sobre o que está acontecendo, não foram poucas as vezes que me peguei cortando os diálogos no jogo em busca de ação, mas o que encontrei foi mais diálogo. Após algumas horas, isso melhora, mas não deixa de incomodar em diversos momentos.

Muitos diálogos foram incorporados visando melhorar a integração do jogador com a história. De fato, isso foi uma boa adição e deixa a compreensão mais sensível. Essas adições, combinadas com outras que falaremos abaixo, aumentaram muito o tempo necessário para se terminar o jogo, criando uma experiência duradoura e melhorando em muito a qualidade de vida. Vale ressaltar que, mesmo o jogador que passou horas no jogo base, notará que essas adições foram implementadas suavemente. Definitivamente, a narrativa melhorou e aborda com muito mais detalhes os acontecimentos do jogo, mas tudo de maneira natural.

Novas aventuras para Adol e Karja

A desenvolvedora Falcom não é conhecida por fragmentar seus jogos em conteúdos capitulares e até mesmo DLCs. A desenvolvedora sempre lançou os conteúdos relacionados à história da franquia Ys de maneira integral. Você encontrará conteúdos estéticos e acessórios de combate para auxiliar no jogo, mas nada relacionado a novas áreas, por exemplo. Quando começamos a jogar, percebemos por que o conteúdo de Ys X: Proud Nordics não poderia ser lançado como uma DLC.

Muitos jogadores também questionaram sobre um patch, mas a desenvolvedora preferiu não arriscar em quebrar o jogo tecnicamente, lançando um patch único, que seria imenso. A ideia de relançar o jogo está intimamente ligada a corrigir problemas de progressão e lapsos da narrativa, além de ajustes na jogabilidade e combate. Inserir grandes blocos de conteúdo via patch poderia gerar problemas de compatibilidade ou exigir retrabalho em sistemas já consolidados. Ao relançar, eles conseguem otimizar tudo de forma a não deixar ou diminuir bastante os erros do jogo.

O jogador perceberá que os novos diálogos são muito mais que somente a inserção de algumas linhas em uma conversa pontual. Os personagens não ganharam apenas correções ou ajustes, mas sim expansões que alteram o ritmo e a estrutura da campanha ao longo da campanha. Se estivéssemos falando somente de balanceamento da jogabilidade ou ajustes técnicos, seria compreensível, mas X: Proud Nordics está em uma linha tênue entre um novo jogo e um jogo corrigido.

Ademais, os ouvidos mais atentos também notarão uma melhoria sonora. A Falcom melhorou várias faixas, adicionando novas camadas instrumentais e arranjos que intensificam o clima das batalhas e da exploração marítima. Os efeitos sonoros ligados ao mar e às batalhas navais foram refinados. O som das ondas, dos ventos e dos canhões transmite mais peso e realismo, tornando a exploração marítima menos repetitiva e mais envolvente. As mudanças principais estão nas músicas de chefes, por exemplo, ganharam maior impacto rítmico e melódico, reforçando a sensação de desafio.

Balanceamento: progressão de combate e inimigos revisados

As melhorias afetaram também o sistema de batalha e, consequentemente, os inimigos do jogo. Conforme avançar no jogo, perceberá um aumento na dificuldade, com inimigos mais fortes e resistentes, comparando com o jogo base. Se você jogou o primeiro game e está revisitando a aventura nessa versão definitiva, notará a dificuldade conforme avança no jogo. Entretanto, essa dificuldade não é profunda e após algumas tentativas, logo o jogador se acostumará. A relação entre tentativa e erro aumentou, mas nem de longe frustrará o jogador.

Os encontros com chefes são o ponto forte do jogo, exigindo que você tenha o domínio de habilidades básicas para conseguir vencer. Em Ys X: Proud Nordics, os chefes receberam um leve aumento na dificuldade. Isso agregou sequências de ataque mais complexas e padrões de ataque menos previsíveis. Um bom exemplo dessas mudanças está no combate contra Magna Diga. Na versão original, o combate era relativamente direto: o chefe surgia do solo em ataques previsíveis, alternando entre investidas e explosões de areia. Já em Ys X Proud Nordics, a primeira fase foi completamente reformulada, tornando-se quase irreconhecível em relação ao jogo base.

Uma das novidades do jogo é a inserção do chute durante os combates. Essa habilidade fará toda a diferença nos combates, exigindo que o jogador a domine para diminuir a dificuldade de combates pontuais, como a do Magna Diga. Essas mudanças, combinadas com mecânicas de bloqueio, aparo e esquiva, tornam o combate mais divertido, sendo o ponto forte do jogo.

Outra adição significativa é a Ilha Öland, um conteúdo totalmente novo em relação ao jogo base. Essa região pode ser acessada após terminar a campanha pela primeira vez. O conteúdo expande o universo do jogo original com diálogos inéditos e interações que não existiam antes. Além disso, tudo que você aprendeu no jogo até o final, será testado nessa nova área. O desafio é progressivo e balanceado, o que mantém o jogador interessado na exploração. A sensação é que esse novo conteúdo serve como mais um motivo para o jogador se envolver nessa versão e como um bônus para quem decidiu entrar nessa aventura novamente, ou pela primeira vez.

O ponto negativo desse conteúdo fica por conta da narrativa. Novamente, esses aspectos não conseguem convencer. A Falcom agregou Öland como um epílogo, mas enquanto os combates são divertidos, a narrativa é indesejável, em muitos momentos confusa e, principalmente, não coloca peso dramático à narrativa que você viveu até aquele momento. Você receberá alguns itens e acessórios durante a exploração da ilha. Esses itens possuem relevância enquanto estiver em Öland. A boa notícia é que você poderá levar tudo que conseguir para um novo jogo. É um incentivo para você jogar novamente, mas depois de ter jogado a versão base e Ys X: Proud Nordics, pode não ser o suficiente para uma terceira jogada.

Ys X: Proud Nordics

Avaliar essa versão definitiva de Ys X: Proud Nordics trouxe duas sensações distintas. A primeira é de que, se você não jogou o game base, por qualquer motivo que seja e estava esperando uma oportunidade para isso, a hora é essa. As inserções de diálogos e melhorias no combate fazem sim diferença. Além disso, a adição de uma nova área com novos itens ajuda a empurrar o game para o jogador. Entretanto, como adições, algumas coisas ainda são confusas e lentas. Você pode levar tudo que conseguir para o Novo Jogo+, mas não parece fazer muita diferença no final de tudo.

Ys X: Proud Nordics é uma boa tentativa de melhorar o lançamento do jogo base, mas como diz o ditado: A primeira impressão é a que fica.

6.5
Ys X: Proud Nordcs

BOM

Com novos diálogos, movimentos e uma trilha sonora retrabalhada, Ys X: Proud Nordics busca conquistar novos jogadores e oferecer aos veteranos uma oportunidade de reviver a experiência sob uma nova perspectiva. As melhorias são bem-vindas e tornam a jornada mais agradável, mas não chegam a apagar a impressão deixada pelo jogo original. Ainda assim, esta edição funciona para novos jogadores.

Pontos positivos.

  • Novos movimentos e dificuldade ajustada.
  • Uma nova área pós jogo.
  • Possibilidade de começar um novo jogo herdando tudo do anterior.

Pontos negativos.

  • Ainda parece confuso.
  • Combate repetitivo.
  • Mesmo com todas adições, não existe sensação de profundidade.
— Jogo foi avaliado mediante cópia cedida pela Keymailer

Marcelo Souza

Apaixonado por jogos e consoles desde 1990. Quando não esta escrevendo em algum site de games, esta jogando ou ensinando o Felipe a jogar.

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