Muitos anos após começar minha vida de gamer, me questionava se algum dia, voltaria a jogar clássicos que marcaram época na minha infância/adolescência, ou sequer teria a oportunidade de jogar algo que não pude na época. Esse era o caso dos games do Commodore 64, computador que nunca tive, e somente soube dos jogos por revistas. Eis que a PQube brinda, 35 anos mais tarde, nos brinda com Beyond the Ice Palace II, um clássico game de plataforma, que rivalizava com o aclamado Castelania e foi lançado no Commodore 64. Confira abaixo mais detalhes deste lançamento imperdível.
- Jogo: Beyond the Ice Palace II
- Desenvolvedora: PQube, PixelHeart
- Publicadora: Storybird Studio
- Lançamento: 11 de março de 2025
- Número de Jogadores: 1
- Gênero: Aventura
- Plataformas: PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox Series, Switch, Steam
- Site Oficial: PQube

A Ressurreição de um Rei
Nossa aventura gira em torno de um rei intitulado somente como Rei Amaldiçoado, qualquer lembrança espontânea da história fictícia que dá título ao romance de terror gótico escrito por Bram Stoker em 1897 não é coincidência. O rei amaldiçoado foi traído por seus conselheiros e aprisionado nas masmorras do castelo, permanecendo adormecido. Após um ritual, esse Rei Amaldiçoado e ressuscitado com parte de seu poder.
Enquanto estava adormecido, seu reino caiu em desgraça, se tornando uma terra infrutífera, cheia de desordem e mergulhada no caos. Teremos de lutar para recuperar o controle do reino e acabar com a maldição que caiu sobre ele. Fica clara a influência de outros jogos bem conhecidos sobre a história de Beyond the Ice Palace II, e mesmo assim, ela funciona muito bem, por estar ajustada a ambientação do jogo.

Se a releitura manteve a história original, não podemos dizer o mesmo sobre o protagonista, que recebeu uma mudança drástica em sua arma. No jogo original, o jogador usava adagas, já nessa releitura, temos a nossa disposição um chicote de fazer inveja a Simon Belmont. Eu poderia dizer que as semelhanças param por aqui, mas, na verdade, elas continuam, mas falaremos disso mais tarde. Nosso Rei é cheio de habilidades, podendo se agarrar em paredes, usar seu chicote para além de atacar, escalar usando pontos de apoio.
Conforme começamos a jogar, notamos que Beyond the Ice Palace II preserva muitas coisas de época, mas também já inovou na época com elementos que tornam o game moderno, como, por exemplo, as viagens entre as cidades e a forma que podemos usar as melhorias de cada um dos atributos. Parte dos movimentos consomem nossa barra de vitalidade, isso inclue se esquivar e ataques pesados, que usamos contra inimigos ou para desbloquear passagens. A barra vitalidade carrega rapidamente, o que deixa de ser um problema quando a usamos com frequência, caso ela fosse carregada mediante ataques, deixaria o jogo mais estratégico, pois limitaria o uso.

Além disso, temos movimentos variados, onde podemos esquivar para evitar ataques, escorregar, podendo passar por níveis mais baixos e saltar rapidamente enquanto usamos o chicote para acessar níveis mais altos. Tudo isso, torna o jogo divertido e variado, saindo da cansativa formula de somente correr e saltar, usada com frequência nos jogos de 8/16Bits. Um movimento que senti falta logo nos primeiros momentos do jogo foi o de correr. O protagonista se movimenta numa velocidade adequada enquanto combatemos, mas assim que matamos um inimigo, nos pegamos tentando correr de alguma forma.
O combate é cadenciado, esqueça aquela coisa de correr atacando todo mundo, existe um método para prosseguir no jogo, mesmo que alguns inimigos sejam bem fáceis. Saltar e se agarrar exige cuidado, pois a jogabilidade é focada nos jogos dos anos 80/90, com pouca precisão. Uma das características peculiares que deixam o game datado é recuar após tomar um dano. Pode não parecer, mas isso dificulta muito o jogo, pois você pode cair de plataformas ou sair da distância de ataque, isso é irritante, mas, ao mesmo tempo, um dos subterfúgios que aumentam a dificuldade.

Associe a isso, controles típicos da época do jogo, com uma resposta mais lenta, principalmente nos saltos e ataques. Você pode esmagar o botão de ataque, pressionando-o rapidamente, a quantidade de ataque será a mesma que você pressionar lentamente, um ou dois ataques por vez. Isso fica ainda mais notório quando temos de saltar e atacar, ou saltar duas vezes. Pegar o timing do jogo é crucial.
Uma bela terra devastada
A primeira impressão gráfica que temos é de um game típico dos consoles de 16 bits, mas conforme começamos a jogar, percebemos que os gráficos estão mais detalhados e nítidos, em relação aos jogos da época. Essa nova versão de Beyond the Ice Palace II, como deveria ser em todos os casos de releituras, recebeu melhorias que deixaram o game muito mais bonito. Assim que saímos do castelo, notamos como o game aproveita a narrativa e mostra a vastidão do reino.
Passando por pântanos, florestas e vilarejos devastados, o game se aproveita da temática gótica e de uma ambientação que nos remete a Europa dos dias medievais. A paleta de cores é bem diversificada, mas sempre com tons pesados, infligindo um ar sombrio e ameaçador ao jogo. Vale a pena conversar com os aldeões e criaturas espalhadas pelo jogo, os depoimentos ajudam muito a inserir você no clima de desesperança.
Tecnicamente falando, o jogo mantém a qualidade e não tem quedas de FPS notáveis ao longo da jornada. Existem alguns fatores que poderiam ter sido melhorados, podemos citar, por exemplo, a escolha dos pontos secretos no jogo. A maioria deles é visível no mapa, e o jogador mais atento vai notar a maioria deles. Outros são visíveis e exigem somente que você complete algum quebra-cabeça, que também não são nenhum grande desafio. Os gráficos de Beyond the Ice Palace II privilegiam a exploração, com Pixels bem definidos e uma riqueza de detalhes que fazem o jogador olhar com atenção para tudo que está acontecendo. Os personagens possuem alguma riqueza de detalhes, mas deixam a desejar, seja o próprio protagonista ou os inimigos.
Enquanto tentamos recuperar nosso reino, teremos de enfrentar chefes de fase, todas as fases vão ter um sub-chefe e um chefe final. Esse inimigo pontual no final de cada fase é um show a parte, com criaturas cheias de detalhes e geralmente, enormes. Essas criaturas também possuem uma riqueza de movimentos, e quase todas exigem uma estratégia para serem eliminadas. Infelizmente, as lutas não são tão difíceis, o jogador mais atento notará o padrão de ataque rapidamente, e quando isso acontece, os inimigos não conseguem quebrar o ritmo.

Quando falamos das músicas e dos efeitos sonoros, Beyond the Ice Palace II mantém a qualidade, com músicas bem escolhidas, orquestradas e cheias de pompa, focadas na música clássica. Todas as fases têm músicas condizentes com o clima do jogo, mantendo a tensão ao mesmo tempo que a atenção do jogador. Os efeitos são mais básicos, mas não decepcionam.
Beyond the Ice Palace II — Vale a Pena?
Jogos como Beyond the Ice Palace II podem agradar diversos tipos de jogadores em plataformas diferentes, associando isso a qualidade do jogo, é impossível não recomendar que você se aventure por esse reino de caos e tristeza. Um bom exemplo de como o jogo é adaptável, e como ele se sai bem em consoles portáteis, como o Nintendo Switch e os PCs como o Steam Deck. A mecânica do jogo se encaixa perfeitamente no estilo jogue em qualquer lugar.
Beyond the Palace II é um lançamento certeiro, trazendo um ótimo jogo de um console que poucos tiveram. Além disso, seus elementos metroidvania e pitadas de soulslike devem agradar os jogadores mais novos.
Beyond the Ice Palace II foi avaliado mediante uma cópia de revisão gratuita fornecida pela Keymailer.
Beyond the Ice Palace II | REVIEW
Gráficos - 8
Jogabilidade - 7
Diversão - 8.6
Som - 8.5
Dificuldade - 8
Fator Replay - 8
8
Ótimo
Um clássico do Commodore 64. Com ótimos gráficos e elementos metroidvania/soulslike, Beyond the Ice Palace II é um game divertido e desafiante. Alguns ajustes na jogabilidade seriam bem vindos, mas não atrapalham a experiência.