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Satellite Odyssey: Prologue | review

Uma bela direção de arte coloca o jogador na corrida espacial em meio as tensões da guerra fria

O melhor meio de conhecer um jogo antes de comprá-lo sempre foi através das demos. Nas gerações de 32 e 128 bits, isso significava ter em mãos um CD especial, como o famoso disco de Devil May Cry que vinha em algumas versões de Resident Evil: Code Veronica. Era uma época em que experimentar um jogo antes do lançamento era quase um privilégio, restrito a quem conseguia acesso a essas edições (eu tive esse privilégio!). Hoje, esse processo se tornou muito mais simples e acessível. As plataformas digitais permitem baixar demos com poucos cliques, sem depender de mídias físicas ou edições limitadas. Essa mudança democratizou o acesso e tornou comum que jogadores possam testar títulos antes de decidir pela compra.

Seguindo essa tendência, Satellite Odyssey: Prologue acaba de ganhar sua própria demo. Ela funciona como uma porta de entrada para o universo criado pela Antifreeze Games, estúdio independente sediado em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. O jogo mistura ficção científica com terror psicológico, trazendo uma experiência narrativa em primeira pessoa que aposta na atmosfera e na tensão para envolver o jogador. Vista seu traje espacial, seu capacete e confira nossas impressões abaixo

Um pedaço da USSR no espaço

Apostando em uma história retrofuturista que se passa nos anos 1970, em meio as tensões da guerra fria. Nessa época, ambos os países haviam mudado os aspectos da corrida espacial, deixando de focar na pressa de “chegar primeiro” e passaram a focar na permanência prolongada no espaço, exploração profunda do Sistema Solar e cooperação diplomática. Um bom exemplo é que em julho de 1975, uma nave americana Apollo e uma nave soviética Soyuz se acoplaram no espaço.

Nesse momento da história, você será Laska, um robopsicólogo soviético e membro da expedição espacial científica “Ícaro”. Despertada de uma anabiose prolongada, ela faz um turno rotineiro com a inteligência artificial da estação, Zarya. Entretanto, apesar da calmaria, algo começa a dar errado e a missão sofre um problema inesperado. Laska precisa descobrir o que aconteceu na estação e tomar uma decisão extremamente difícil.

A intenção do jogo é mergulhar o jogador na atmosfera da ficção científica clássica e do retrofuturismo, inspirada nos filmes soviéticos de ficção científica e na sede humana por conhecimento e conquista do espaço. Ambientar o jogo durante a guerra fria e como um soviético no espaço foi uma ótima escolha, principalmente por todo o mistério que envolve o programa espacial russo da época, envolto no sigilo da mão de ferro do comunismo. Conforme revelado pela desenvolvedora, o jogo mostrará o futuro, como imaginado pela mente soviética. Avanços rápidos em robótica, expedições a estrelas e planetas distantes em busca de sinais de vida.

Satellite Odyssey aposta em uma direção de arte e estilo visual imersivo

Graficamente, o título aposta em uma direção de arte refinada e cheia de personalidade. Os cenários são carregados de referências à cultura soviética da década de 70: móveis pesados, aparelhos tecnológicos antiquados e uma estética retrô-futurista que transmite a sensação de um futuro imaginado com base em limitações do passado. Um dos exemplos mais curiosos é a companheira de cápsula do jogador, uma IA que mais parece um aspirador de pó retrô. Essa escolha não é apenas estética, mas também narrativa, reforçando o contraste entre a ambição espacial e a realidade tecnológica da época.

A iluminação é outro ponto alto: áreas escuras criam tensão e suspense, enquanto a paleta de cores saturadas — vermelhos intensos, verdes vibrantes e amarelos fortes — remete diretamente aos cartazes de propaganda soviética. O resultado é uma atmosfera que mistura nostalgia e inquietação, mantendo o jogador imerso em cada detalhe.

A ambientação política é constante. Símbolos do partido e objetos típicos da cultura soviética aparecem em diversos momentos, reforçando a ideia de que o jogo não apenas se passa em uma estação espacial da União Soviética, mas também exalta o regime comunista como parte integrante da narrativa. Essa presença ideológica transforma o cenário em um personagem vivo, que influencia a forma como o jogador percebe e interage com o mundo.

Com uma jogabilidade suave, Satellite Odyssey é uma experiência agradável e marcante

Ao jogar Satellite Odyssey, você vai perceber logo de cara que ele segue o padrão clássico dos jogos do gênero, com uma câmera em primeira pessoa e uma movimentação suave, quase automática. A sensação de caminhar pelos ambientes é fluida, e o ritmo progressivo da exploração te convida a observar cada detalhe do cenário. É aquele tipo de jogo que não te apressa — ele te deixa curioso.

Você pode interagir com objetos, mecanismos e coletar itens, seja para guardar no inventário ou simplesmente transportar de um ponto A até um ponto B. Essa parte é bem intuitiva e mantém o jogador engajado, principalmente quando há pequenas recompensas escondidas em lugares improváveis. Os movimentos do personagem são bem construídos e transmitem uma naturalidade que lembra o comportamento humano, o que ajuda bastante na imersão.

Mas nem tudo é perfeito. Confesso que esperava um pouco mais de realismo em alguns aspectos — especialmente na interação com objetos. Quando você pega algo, como um travesseiro, ele simplesmente flutua na sua frente, sem que suas mãos apareçam segurando. É funcional, mas quebra um pouco a magia. Ver minhas mãos segurando o objeto, assim como vejo meus pés caminhando, tornaria tudo mais convincente e, principalmente, mais imersivo.

Enquanto explora a estação tentando descobrir o que aconteceu e por que aconteceu, você vai se deparar com uma série de puzzles que seguem a linha clássica dos jogos de terror e suspense. A mecânica de backtracking é bastante presente: abrir uma porta exige encontrar uma chave escondida em outro setor, e muitas vezes você terá de revisitar áreas já exploradas para avançar. Esse recurso, apesar de comum, funciona bem dentro da proposta, já que o jogo aposta pesado no clima de tensão e mistério.

Boa parte dessas interações acontecem com a Zarya, a inteligência artificial que acompanha o jogador. Ela não é apenas uma voz no fundo; Zarya se torna parte essencial da experiência, seja fornecendo dicas, seja impondo pequenos desafios. Em alguns momentos, você precisa agradá-la — como quando toca uma música para conquistar sua simpatia — e isso adiciona uma camada curiosa de personalidade à IA, tornando a relação mais dinâmica do que simplesmente receber instruções.

A diversidade de tarefas, ainda que costumeira nesse tipo de jogo, consegue se manter divertida. Procurar chaves, resolver enigmas, manipular mecanismos e até interagir com Zarya criam uma cadência que não cansa, pelo menos no Prologue. O jogo sabe dosar bem o ritmo entre exploração, suspense e interação, mantendo o jogador sempre atento ao próximo passo. Espero que a dose de criatividade continue durante o resto do jogo quando ele sair em definitivo.

Como companheiro de jornada, você terá acesso a um bloco de notas que funciona como guia das tarefas necessárias para avançar no jogo. É uma ferramenta simples, mas prática: ali ficam registradas as missões, objetivos e pequenos lembretes que ajudam a não se perder na exploração da estação. O problema é que, por enquanto, o jogo não está localizado para o nosso idioma, e isso pesa bastante. Eu realmente espero que a equipe da Antifreeze Games consiga reservar espaço no orçamento para trazer os textos em português até o lançamento, porque faria toda a diferença.

Em alguns momentos, o jogo mistura termos em inglês com termos que lembram o russo, e interpretar certas instruções pode se tornar um desafio extra para quem não domina completamente o idioma americano. Isso não chega a inviabilizar a experiência, mas atrapalha a fluidez: você precisa parar, traduzir mentalmente ou até recorrer a ferramentas externas para entender o que fazer. E convenhamos, em um jogo onde a narrativa é o coração da imersão, não compreender exatamente o que está acontecendo quebra o ritmo e diminui o impacto emocional da história.

Afinal, quando a proposta é mergulhar em um suspense espacial cheio de mistérios e interações com uma IA como a Zarya, cada detalhe textual importa. O sotaque e a tradução a linguagem ajudam a criar o clima, mas não na viabilidade, saber o que ela está dizendo, captar nuances de humor ou tensão, e entender as instruções sem ruído é imprescindível para sentir que você realmente faz parte daquele universo. Sem isso, a experiência corre o risco de se tornar mais mecânica do que envolvente.

Vai rodar no seu PC Portátil?

Jogando no Steam Deck, Satellite Odyssey se saiu surpreendentemente bem, considerando que o título ainda não possui a verificação oficial para o portátil. Mesmo assim, o desempenho é estável o suficiente para garantir uma experiência sólida, especialmente para quem não se incomoda em jogar com uma taxa de quadros mais baixa.

Ainda que seja possível rodar o jogo com as configurações no modo Ultra, o Steam Deck não conseguiu ultrapassar o limite de 45 FPS, mantendo uma média entre 30 e 35 FPS durante a maior parte do tempo. Isso não chega a comprometer a gameplay, mas em áreas mais densas ou com movimentos rápidos, a fluidez sofre pequenas quedas perceptíveis. Nada que torne o jogo injogável — apenas um lembrete de que o hardware portátil ainda tem suas limitações frente a PCs de mesa.

Para quem busca desempenho extra, o uso de aplicativos como o Lossless Scaling pode melhorar drasticamente a taxa de quadros, entregando uma experiência mais suave e responsiva. Jogadores mais exigentes certamente vão perceber a diferença, especialmente em momentos de exploração ou interação com a IA Zarya, onde o ritmo visual contribui para a imersão.

Quanto à bateria, mesmo no modelo LCD, com os ajustes certos de brilho e desempenho, há energia suficiente para concluir a demo sem sustos — desde que o jogador saiba o que está fazendo e evite desperdiçar recursos. A eficiência energética do Steam Deck se mostra adequada para sessões curtas, e o jogo não exige processamento intenso o tempo todo.

https://youtu.be/09OCK-gd8XI

No geral, Satellite Odyssey é perfeitamente jogável no Steam Deck, e por extensão, também em outros PCs portáteis mais modernos, como o ROG Ally. A experiência é imersiva, visualmente interessante e tecnicamente consistente, mesmo sem otimização dedicada.

Satellite Odyssey: Prologue — Vale a pena?

Diante do que jogamos nesse Prologue, podemos esperar um jogo com uma ambientação imersiva e detalhista no que diz respeito a narrativa focada na União Soviética da década de 70 e a corrida espacial que acontecia então. A identidade visual do jogo é forte e a direção de arte, concisa nas escolhas, tudo perfeitamente adaptado a narrativa, com um sotaque que só reforça a direção do jogo. Ficou faltando alguns detalhes de jogabilidade, o bloco de notas poderia ser mais intuitivo, bem como a forma que as missões aparecem. O selo de verificação para Steam Deck parece perfeitamente possível e uma localização para o idioma português, ajudaria muito. Podemos desde já, considerar Satellite Odyssey um game marcante e sólido.

7.5
Satellite Odyssey: Prologue
NOME DO JOGO

BOM

O capítulo Prologue de Sattelite Odyssey coloca o jogador em uma experiência que mistura simulação de caminhada, puzzles, mistério e uma ótima direção de arte.

Pontos positivos👍.

  • Gráficos e direção de arte imersivos.
  • Puzzles desafiantes.
  • Narrativa bem localizada em termos históricos.

Pontos negativos👎.

  • Algumas interações quebram a imersão.
  • Uso da IA pode parecer deslocado do contexto histórico.
  • A falta dos textos localizados atrapalha na solução de puzzles e intendimento da narrativa.
🎮 Jogo foi avaliado mediante cópia cedida pela PressEngine.

Marcelo Souza

Apaixonado por jogos e consoles desde 1990. Quando não esta escrevendo em algum site de games, esta jogando ou ensinando o Felipe a jogar.

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