Apostando em uma junção de gêneros, a desenvolvedora Lunarium Game Studio, que ressalta o foco em criar experiências interativas com forte ênfase em estilo artístico e narrativas envolventes, e conseguiu criar um Action RPG (ARPG) cheio de estilo e identidade própria. A proposta é clara: unir gráficos isométricos, elementos soulslike e cenários pintados à mão para dar vida a uma experiência que mistura desafio e habilidade. Em Lunarium, acompanhamos duas personagens que se aventuram por um mundo em colapso, marcado por paisagens deslumbrantes e ameaças constantes.
O resultado é um jogo que não apenas homenageia suas influências, mas também constrói uma identidade própria. Lunarium promete entregar uma aventura intensa, artística e desafiadora, capaz de conquistar tanto os fãs de ARPGs quanto aqueles que buscam experiências diferentes e marcantes. Jogamos Lunarium e trazemos nossas impressões desse título que promete ser sua mais nova e inesquecível jornada.
Em um mundo colapsado, ajude duas garotas a superar grandes desafios enquanto se fortalece.
Para salvar sua pátria que está em colapso e prestes e ser destruída definitivamente, elas embarcam em uma jornada perigosa rumo ao desconhecido. Em múltiplos mundos, precisam superar inimigos e desafios que vão muito além da força física, exigindo coragem, sabedoria e união. Cada território revela segredos ancestrais, fragmentos de um passado esquecido e pistas que os aproximam da verdade oculta — uma revelação que não apenas mudará o destino desse mundo que tenta existir, mas também delas próprias.
Você assume o papel de Ave, uma cavaleira de armadura leve, ágil e determinada, cuja espada carrega tanto disciplina quanto esperança. Ao seu lado está Lune, uma jovem feiticeira de cabelos dourados como o linho, portadora de poderes misteriosos que ainda não compreende totalmente. A relação entre ambas cresce a cada batalha, e o vínculo que tecem se torna tão essencial quanto as armas que empunham. Com a sua ajuda e juntas, enfrentam criaturas colossais, atravessam ruínas esquecidas e exploram mundos que oscilam entre o esplendor e a decadência. Espada e magia se entrelaçam em combates intensos, criando uma sinfonia de aço e feitiços que ecoa em meio ao caos.
Mais do que salvar um mundo à beira do colapso, Ave e Lune precisam descobrir quem realmente são — e o que estão dispostas a sacrificar para proteger aquilo que amam. Os acontecimentos da narrativa são contados de maneira cadenciada, através de pequenos fragmentos da história que você coleta durante sua jornada. Além disso, alguns inimigos também carregam partes dessa história, que você descobre quando os vence. Essas notas da história ficam registradas no seu inventário e podem ser conferidas a qualquer momento.
Os gráficos de Lunarium são um dos pontos mais marcantes da experiência. A Lunarium Game Studio optou por um estilo pintado à mão, que transmite a sensação de estar diante de uma obra de arte em movimento, literalmente. Isso porque em cada uma das áreas, tudo parece estar vivo no jogo. Quase todos os elementos possuem movimento, sendo que nas árvores é que tudo isso fica ainda mais evidente. A paleta de cores é suave, com cores vibrantes, mas delicadas. Confesso que algumas escolhas me pareceram muito parecidas, como em alguns casos, da água com o solo.

Cada cenário parece uma tela cuidadosamente trabalhada, com pinceladas que evocam tanto a delicadeza de aquarelas quanto a intensidade de pinturas a óleo. O resultado é uma estética que mistura melancolia e beleza, reforçando a atmosfera de um mundo em colapso, mas ainda cheio de vida e mistério. Ainda que as paisagens sejam, principalmente no início do jogo, mais delicadas e suaves, as transições para ambientes mais densos e obscuros existe. Nesses ambientes encontramos tons de cores mais pesados e texturas mais densas, transmitindo muito bem a mudança de ambiente e principalmente, a tensão necessária para impactar o jogador.
Falando sobre os personagens, tanto as protagonistas quanto os inimigos, são ricos nas movimentações e habilidades de combate. Ainda que estejamos falando sobre um jogo pintado à mão, a movimentação é rica em fluidez e as habilidades de ataque, cheias de estilo. A movimentação dos personagens e inimigos é mais cadenciada, criando um combate mais estratégico e menos frenético, ainda que os elementos dos RPGs de ação estejam sempre presentes. O estilo gráfico usado em Lunarium não é nenhuma novidade, mas tem identidade própria e consegue impactar o jogados com suas características suaves, mesmo quando quer ser densa.
Um ponto que chamou a atenção foi a tradução do jogo. Não existe suporte para o português de nenhuma maneira, você pode optar pelo inglês, japonês ou o idioma chines, simplificado ou tradicional. Infelizmente, existem alguns textos que não são traduzidos, mesmo quando você seleciona o inglês nas configurações. Foram alguns momentos pontuais em conversas ou placas de identificação. Vale ressaltar que a desenvolvedora vem disponibilizando atualizações mesmo antes do lançamento oficial, o que deve resolver esse inconveniente em breve.
Mecânica de combate aposta em elementos passivos, exigindo estratégia para criar diversas formas de combate.
Logo nos primeiros combates, fica evidente que Lunarium não é um jogo que perdoa a mediocridade. A cada passo, o jogador é confrontado com a necessidade de precisão absoluta: um golpe mal calculado, um desvio atrasado ou até mesmo um movimento impulsivo podem custar pontos vitais preciosos. E, nesse universo, cada fragmento de energia perdida faz falta. Lunarium constrói sua identidade em torno da disciplina e da exigência, transformando o campo de batalha em um verdadeiro teste de habilidade e concentração.
Essa filosofia de design transmite ao jogador uma mensagem clara: aqui, cada ação tem peso, cada decisão carrega consequências. Não há espaço para improviso descuidado, apenas para estratégia e execução impecável. Enquanto muitos títulos oferecem combates iniciais como aquecimento, Lunarium mergulha o jogador diretamente em uma atmosfera de tensão e responsabilidade. A sensação é de que o jogo observa cada movimento, pronto para punir a arrogância ou a pressa. O resultado é uma experiência que exige respeito e dedicação, transformando até os confrontos mais simples em lições de humildade e aprendizado.
Com o passar dos anos e dos jogos soulslike superados, entendi que muito desse gênero, principalmente aqueles que constroem sua essência em sistemas de combate rigorosos, precisam ser compreendidos em um nível mais profundo do que outros. Lunarium é exatamente sobre isso: não basta apenas atacar, é preciso dominar as técnicas de defesa e contra-ataque. A esquiva, por exemplo, não é apenas uma ferramenta de sobrevivência, mas um recurso que define o ritmo do combate. Saber o momento exato de rolar para fora da área de impacto pode ser a diferença entre sair ileso ou perder uma fração valiosa de seus pontos de vida.
O jogo coloca essa necessidade em praticamente todos os combates. Um inimigo aparentemente simples, como um lobo, pode se tornar um pesadelo se o jogador não souber esquivar no tempo certo. O alcance da arma força o jogador a calcular a distância com precisão, e qualquer tentativa precipitada de avançar resulta em um contra-ataque devastador. Outro exemplo claro é o uso do parry. Lunarium não trata o parry como um recurso secundário, mas como uma habilidade que precisa ser dominada para enfrentar inimigos mais complexos. É necessário observar seus padrões, esperar o momento exato para desviar ou aparar o golpe. O jogo recompensa essa excelência com uma abertura curta, mas decisiva, para contra-atacar.

Se mesmo com as habilidades e a agilidade de Ave o jogador encontra uma curva de dificuldade elevada e exigente, é ao compreender o papel de Lune que surge um alento. Lune, apesar de atuar como suporte, não é uma personagem passiva. Ela está intrinsecamente ligada ao combate, funcionando como um elo entre estratégia e sobrevivência. Em determinados confrontos, sua presença é a chave para transformar uma derrota iminente em uma vitória dramática. Logo que Lune se junta a Ave na aventura, toma um papel preponderante, principalmente quando queremos quebrar a barra de equilíbrio de um inimigo.
Os projéteis lançados pela fada ajudam a abrir a defesa dos inimigos. Associado ao parry, essa característica se torna ainda mais poderosa, principalmente contra os primeiros chefes de área. Outro momento em que Lune se torna indispensável é nos combates prolongados. Nessas situações, a resistência física e mental do jogador é testada ao limite. Lune pode intervir com habilidades que reduzem o tempo de recuperação da esquiva ou fortalecem o parry, permitindo que Ave execute suas técnicas com maior margem de segurança.
Durante os combates, Lune também tem a habilidade de curar Ave. Essa habilidade também deve ser usada com astucia, pois isso não acontece imediatamente, sendo necessário aguardar até que a cura se efetive. O jogo oferece dois tipos de pontos de controle. Antes de confrontar os chefes de área do jogo, você encontrará um toten, servindo de ponto de controle onde seu PV e o Rssonance Attack são recuperados. Outro ponto de controle é o banco, onde além de se curar, salvar seu progresso e conversar com Lune. Entretanto, o mais importante é que você terá acesso a sua árvore de skills.
Através do sistema de Skill, Lunarium cria um sistema de combate refinado e divertido, mas sem inovação.
Conforme você avança no jogo e consegue os pontos necessários para desbloquear as skills, o combate fica mais refinado e divertido. Ao contrário de sistemas mais tradicionais, onde habilidades funcionam como simples incrementos de poder, aqui elas são verdadeiras extensões da estratégia do jogador. Cada escolha de skill molda diretamente o estilo de luta, exigindo que o jogador compreenda não apenas o que cada habilidade faz, mas também como ela se encaixa na sinergia entre Ave e Lune.
Ave, por exemplo, possui um conjunto de skills voltado para a agilidade e precisão. Habilidades que ampliam a janela de esquiva ou aumentam a velocidade de recuperação após um parry tornam-se indispensáveis em combates contra inimigos rápidos e imprevisíveis. Já em batalhas contra adversários pesados, Ave pode desbloquear técnicas que permitem contra-ataques devastadores após uma defesa bem-sucedida, transformando a paciência em arma letal. Entretanto, a curva de aprendizado é exigente e não fornece lacunas que facilitem a ação, você precisará de treino.
Lune, por sua vez, traz um leque de skills que reforçam sua função de suporte. Algumas habilidades permitem criar barreiras temporárias que reduzem o dano recebido, enquanto outras ampliam a eficácia das curas ou fortalecem a resistência do jogador em combates prolongados. Em confrontos contra chefes, por exemplo, uma skill de Lune que acelera a regeneração de estamina pode ser a diferença entre manter o ritmo da luta ou sucumbir ao desgaste.
O grande diferencial da seção de skills em Lunarium é que ela não se limita a oferecer poder bruto. O jogo força o jogador a pensar em termos de complementaridade: investir em habilidades de Ave sem considerar o suporte de Lune pode resultar em um estilo de combate veloz, mas frágil; por outro lado, focar apenas em Lune pode garantir sobrevivência, mas reduzir a capacidade ofensiva. O equilíbrio entre ataque e defesa, entre precisão e sustentação, é o que transforma o sistema de skills em uma verdadeira arte de construção de personagem.
Se o sistema de progressão das skills funciona bem no combate, ele carece de inovação. Avançando no jogo e explorando a seção de skills de Lunarium, percebi rapidamente que, apesar de sua importância dentro do jogo, o sistema em si não me parecia tão inovador. Ao investir pontos em habilidades de esquiva ou em melhorias de cura, eu não sentia que estava descobrindo algo novo, mas sim repetindo padrões que já havia dominado em outros títulos.
O jogo exige disciplina e estratégia, e a diversão está mais associada a dificuldade de assimilar essas técnicas com eficácia no combate do que na obtenção de fato. Isso não interfere na diversão e não desabona o sistema de combate, A sensação que tive foi de estar diante de uma estrutura familiar, quase previsível, onde cada escolha segue um caminho com um resultado previsto. Isso não compromete o combate ou a diversão, mas também não agrega muito valor a ambos, com exceção de alguma habilidade realmente importante, as demais somente existem.
Sem o selo de verificação, Lunarium no Steam deck é uma experiência limitada e com problemas de desempenho.
Lunarium, até o fechamento desta review, não estava oficialmente verificado para Steam Deck. Ainda assim, o jogo apresenta uma experiência satisfatória no portátil da Valve, mesmo com algumas limitações técnicas que merecem atenção. Um dos pontos que mais chamam a atenção é a ausência de opções gráficas nativas. O jogador não pode ajustar qualidade visual, FPS ou iluminação dentro do próprio jogo. A única configuração disponível é a resolução, que deve ser fixada em 1280×720 em tela cheia para garantir estabilidade. Essa limitação não afeta apenas o Steam Deck, mas também PCs mais modestos, que poderiam se beneficiar de ajustes mais granulares.
O jogo manteve-se firme entre 35 e 40 FPS na maior parte do tempo. No entanto, em momentos mais intensos, houve quedas para 22 a 28 FPS, o que compromete a fluidez da jogabilidade. Para contornar isso, a recomendação é travar o FPS em 30 e configurar o TDP em 15 Watts diretamente nas opções do Steam Deck. Além disso, ao utilizar o Lossless configurado em 2x, a experiência se torna mais estável e agradável, oferecendo uma jogabilidade mais consistente.
Outro desafio está na interface textual. A fonte utilizada em Lunarium é pequena e de difícil leitura, especialmente em uma tela portátil. Em ambientes mais iluminados, essa limitação se torna ainda mais evidente, dificultando a navegação nos menus e a compreensão de diálogos durante as partidas. Uma fonte maior e mais legível aumentaria significativamente a acessibilidade, tornando o jogo mais confortável para diferentes públicos.
Embora o Steam Deck ofereça uma experiência aceitável, é importante destacar que existem problemas de desempenho, dispositivos mais modernos, como o Xbox ROG Ally, apresentam uma experiência mais fluída devido o hardware mais robusto, Lunarium roda de forma mais fluida e com menos quedas de FPS, o que reforça a ideia de que o jogo ainda precisa de otimizações para se adaptar melhor a plataformas portáteis. Com o Selo de verificação da Valve, o jogo deve se tornar uma experiência muito mais divertida.
Lunaium – Vale a Pena?
Poucos aspectos de um jogo são tão marcantes quanto a personalidade, principalmente quando essa personalidade se apresenta nos primeiros minutos de jogo. Lunarium, desde o início, deixa claro que não pretende ser apenas mais um ARPG: com um sistema de batalha divertido e uma dificuldade positivamente desafiante, ele consegue empolgar pela sua identidade ímpar. Ainda que a variedade de inimigos e formas de combate pudesse ser mais abrangente, e que o mapa careça de pontos de interesse mais definidos, nada disso compromete a experiência central.
É verdade que existem gargalos técnicos, principalmente na versão para PCs móveis, onde quedas de desempenho e pequenos bugs podem atrapalhar a fluidez da experiência. No entanto, essas questões parecem mais circunstanciais do que estruturais, e há a expectativa de que sejam corrigidas em breve. O núcleo do jogo permanece sólido, e isso é o que realmente importa. Lunarium certamente agradará aqueles que buscam uma experiência intensa, desafiadora e carregada de identidade própria.
ÓTIMO
Com uma identidade visual impactante e uma dificuldade desafiante e divertida, Lunarium é um jogo polido no PC, mas com problemas nos PCs portáteis.Pontos positivos👍.
- Direção de arte.
- Combate estratégico.
- Muitas habilidades passivas.
Pontos negativos👎.
- Sistema de skills não transparece progressão.
- Mal otimizado para dispositivos portateis.
- Inimigos repetitivos.



