O PlayStation 2 foi um dos consoles mais importantes na história dos vídeo games. O console serviu de estreia para centenas de jogos que até hoje são sucessos, ou estão na memória dos jogadores por terem sido marcantes no console, e tem uma continuação, remake ou remaster aguardada até hoje.

Silent Hill 2, Clock Tower 3, Rule of Rose são alguns dos jogos de terror que fizeram história no console. E dentre esses, não podemos esquecer de Fatal Frame. De todos que citamos, o único que teve um lançamento fora do PlayStation 2 foi Fatal Frame, os outros estão no Limbo.

Após ser lançado exclusivamente no Obscuro WiiU, Fatal Frame: Maiden of Black Water chega aos consoles da atual geração, sendo como um alento para quem jogou a trilogia original no PlayStation 2. Confira aqui nossa análise do jogo, e se a espera por tanto tempo nos valeu a pena.

Jogo: Fatal Frame: Maiden in Black Water
Desenvolvedora: Koei Tecmo
Publisher: Koei Tecmo
Lançamento:
Número de Jogadores: Single Player
Gênero: Survivor Terror
Plataformas: PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series, PC

Um conto de terror sobrenatural

Assim como na trilogia lançada no PlayStation 2, Fatal Frame: Maiden of Black Water tem na sua história um dos seus pontos mais fortes. O game trás o clima do terror Asiático, com contos que tentam passar a sensação de serem reais, pois usam como pano de fundo, histórias que nos remetem a tragédias do mundo real.

Maiden of Black Water se passa na fictícia Montanha Hikami, um lugar famoso por suicídios e acontecimentos espirituais relacionados a corpos d’água locais. No local no passado, as donzelas residentes do santuário usavam suas habilidades de leitura de mentes para ajudar a guiar as pessoas a uma morte pacífica, seriam como guias espirituais, por exemplo.

Entretanto, com o passar do tempo, elas se tornariam emocionais demais para realizar suas habilidades e seriam sacrificados como uma Flor Eterna para manter um poder maligno de outro mundo chamado Água Negra sob controle. A história segue três protagonistas diferentes: Yuri Kozukata, que tem a habilidade de trazer pessoas de volta do mundo das sombras para o mundo real devido à sua descendência das donzelas do santuário de Hikami; Ren Hojo, autor e amigo de Yuri que vai à montanha pesquisar seu novo livro; e Miu Hinasaki, filha do recorrente protagonista de Fatal Frame Miku Hinasaki.

Com esse enredo, vamos nos aventurar pelas florestas, vales e residências abandonadas no intuito de resolver os enigmas que cercam a montanha Hikami. Prepare-se para muitos sustos, tensão e principalmente suspense, sensações que vão lhe acompanhar por todo o jogo.

Fatal Frame: Maiden in Black Water

O novo com cara de velho

Se compararmos com os game lançados para Wii, o lançamento inicial de Fatal Frame: Maiden of Black Water tem 6 anos, o que não é muito tempo, e com isso não está tão atrasado quando comparamos as gerações de consoles. Desde o anúncio da versão para os consoles da atual geração, melhorias foram anunciadas, e tudo isso fez com que o Hype sobre o game aumentasse bastante.

Dentre diversas melhorias, a mais visível e que boa parte dos gamers espera, é a gráfica. A Koei Tecmo anunciou que estava aumentando a resolução do game para atender os requisitos atuais, entretanto as coisas não parecem que estão como muitos podem esperar. Apesar da melhoria em comparação a versão do WiiU, o game ainda fica devendo graficamente, principalmente quando você percebe que está jogando no PlayStation 5 ou Xbox Series S|X.

A impressão que fica é que os gráficos do game envelheceram muito mal, e mesmo com as melhorias implantadas pela Koei Tecmo não foi suficiente para que tenhamos uma experiência que nos faça sentir, sequer que estamos diante de um game otimizado para o PlayStation 4 e Xbox One, que dirá no PlayStation 5 e Xbox Series S|X.

Fatal Frame: Maiden in Black Water apresenta gráficos que mesmo rodando em 4K nos sistemas mais atuais, nos remete a gráficos do PlayStation 3 ou até mesmo do game original no WiiU. Claro que temos algumas melhorias perceptíveis como na água e nas luzes, entretanto duvido que você se surpreenda com isso.

Esquecendo um pouco dessas deficiências, em termos de ambientação, temos gráficos típicos da franquia. Apesar de não haver uma riqueza de detalhes, as ambientações conseguem transparecer o clima de suspense do jogo. Os ambientes externos tem alguma riqueza de detalhe, mas por muitos momentos a sensação que temos é de estar propositalmente no escuro.

Com o jogo rodando a 4K, esperava um ter um pouco mais de luz no game, e principalmente que alguns polígonos não apresentassem tantos serrilhados, principalmente nos consoles da atual geração. Até mesmo as texturas nos fazem lembrar que estamos diante de um game de WiiU, ou outro console da época.

Um game de terror, mas frio como gelo

Uma das coisas mais legais em todos os games de terror, são os sustos, tanto de quem está jogando quanto as emoções do seu personagem. Sim, é verdade que essas emoções foram realçadas na geração PlayStation 3 e Xbox 360, entretanto ainda no PlayStation 2, durante as CGs tínhamos as emoções nos rostos dos personagens.

O clima de terror está presente em Fatal Frame: Maiden of Black Water, se deparar com fantasmas em becos, surgindo do solo ou da água, entre árvores é muito legal, e os sustos são inevitáveis. Esse terror é suspense só uma das coisas mais legais do jogo, entretanto nossos protagonistas parecem estar alheios a tudo que acontece no jogo.

Infelizmente enquanto tomamos nossos sustos com os fantasmas, nossos protagonistas tem nervos de aço. Mesmo diante de ameaças eminentes, não há qualquer esboço de medo ou qualquer outra emoção. Mesmo durante as animações, encontrar um rastro de medo é quase impossível, mesmo durante as cenas cinematográficas, não conseguimos perceber emoções nos rostos, por mais que esteja envolvido com o jogo, parece que os personagens estão em outra situação.

Nossos protagonistas, diferente dos primeiros jogos Da franquia não esboçam qualquer reação, e com isso não dispertam qualquer empatia do jogador. A falta de carisma chega a ser tanta, que em muitos momentos você esquece deles, a passa a se envolver de maneira quase que pessoal com a história, pois Yuri, por exemplo, parece estar em outro jogo, e não em Fatal Frame: Maiden of Black Water.

Os momentos em que nossos protagonistas conseguem expressar alguma emoção são poucos, diante de um game com a dimensão da franquia Fatal Frame. De um certo ponto em diante isso melhora, mas não ao ponto de transparecer algum medo ao jogador. Citamos Rule of Rose e Clock Tower quem jogo o game sabe o quanto a sensação de medo nesses jogos era real, e queríamos apenas um pouco dessas sensações, como na trilogia original.

Ademais, a impressão que temos é que independente dos recursos oferecidos, o jogo foi simplesmente jogado dentro dos sistemas para que foi portado, sem que ouvese qualquer esforço em usar os recursos para promover uma melhor interação dos personagens com a história. Infelizmente, esse é mais um ponto negativo no jogo, e mais uma oportunidades perdida de transformar Fatal Frame: Maiden of Black Water em algo melhor que era no Nintendo WiiU.

Fatal Frame Maiden of Black Water

Gameplay – Uma narrativa de terror

Fatal Frame: Maiden of Black Water é considerado o game mais distante da proposta original do primeiro game. Isso por diversos fatores, como os que citamos aqui. Mas essas diferenças tem outro grande motivo, principalmente nessa re-entrada do jogo na geração passada/atual. Sua dificuldade quase nula.

Enquanto a trilogia original oferecia uma boa dificuldade durante todo o jogo, aqui temos um game que faz com que você praticamente passeie pela história. Sabemos que a narrativa com pouca dificuldade se tornou um hábito nas últimas gerações de games, entretanto, por ser um game mais datado, esperávamos um pouco mais de dificuldade.

O jogo é bem generoso com você, pois no final de cada capítulo, você é agraciado pelo seu desempenho com uma classificação e um monte de pontos para gastar em atualizações de câmera ou itens que você pode comprar no início do capítulo seguinte, com o custo de perder alguns pontos, você pode se encher de itens de cura e usar eles normalmente durante o capítulo.

Agregue a esses itens que você comprou, mais alguns que você receber automaticamente, e não são poucos, são mais 20 Itens de cura no início. Agora some com muitos outros que você pode pegar ou comprar. Com isso fica claro que qualquer dificuldade que o jogo tenha, praticamente desaparece. Digamos, que a dificuldade do jogo, só existe caso você assim desejar.

Pior ainda, a dificuldade Pesadelo não está disponível até que você tenha vencido a campanha de aproximadamente 14 horas no modo normal ou fácil (o último dos quais desativa o material de classificação e permite que você “curta” a história). 

Caso esteja com alguma dificuldade, confira nossa gameplay abaixo, pois como é de costume, postamos nossas reviews com gameplay, para corroborar nossa opinião sobre o jogo.

Ela está dividida por capítulos, então é só procurar o capítulo que você precisa e assistir. Não deixe de se inscrever no canal, isso nos ajuda muito. Confira:

A trilha sonora do medo

Sonoramente falando o game mantém o padrão já conhecido nos games do gênero, tentando manter o jogador em uma clima de tensão contínuo. Confesso que na maioria do tempo o som passou desapercebido por mim, não por ser ruim, muito pelo contrário, ela se adequa tão bem ao jogo que você nem percebe.

Entretanto isso já não acontece no som. Muitos dos sons como passos, e ruídos estão fora de sincronia. Ao andar em um local com água por exemplo, você sai do local, mas por alguns passos, você ainda houve passos dentro da água.

Esses sons são bastante perceptíveis, e com o passar do tempo você começa a perceber que eles não estão em sincronia com o game. Infelizmente mais uma bola fora.

Fatal Frame: Maiden of Black Water – Vale a pena?

Apesar dos muitos problemas citados o game vale sim a pena, principalmente se você é um fã da franquia original e ainda não jogou essa versão no WiiU. Entretanto, ao jogar Fatal Frame: Maiden in Black Water compreendemos por que o game é considerado o mais fraco da franquia.

A Koei Tecmo perdeu uma grande chance de dar um verdadeiro upgrade ao jogo e trazer uma nova experiencia para que já conhecia o game, e até mesmo para que ainda não jogou. Apesar de estar na nova geração de consoles, a experiência não trás quase nada de novo.

Ademais, mesmo com muitos problemas o jogo deve ser conferido, pois a experiência ainda é bem inconfundível, e merece ser conferida por todos. Mesmo com alguns problemas, você com certeza vai ter se divertir.

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