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Memolith: Forsaken by Light | REVIEW

Explore um mundo obscuro e viva uma narrativa imersiva nesse ótimo RPG Tático

Apesar de parecer um lançamento totalmente novo, Memolith: Forsaken by Light é, na verdade, fruto da transformação de um projeto anterior. O jogo desenvolvido pelo estúdio Black Anchor, sediado na Coréia do Sul nasceu como uma evolução direta de Remore: Infested Kingdom, um RPG tático de sobrevivência que chegou à Steam em acesso antecipado em 2023. A ideia original apresentava uma proposta ousada e que já funcionava muito bem: misturar combate estratégico por turnos com elementos de sobrevivência em um mundo sombrio e decadente.

Os jogadores precisavam gerenciar recursos escassos, enfrentar inimigos imprevisíveis e tomar decisões difíceis para manter seus personagens vivos em expedições perigosas. Embora tenha conquistado uma base de fãs dedicada, o título ainda estava em construção e recebia constantes ajustes com base no feedback da comunidade. Com o passar do tempo a desenvolvedora compreendeu que poderia aprofundar e expandir ainda mais os conceitos do jogo, e começou a trabalhar na transformação que levaria a Memolith: Forsaken by Light.

A Queda da Cidade e o Fim da Luz

Um dos aspectos mais marcantes de Memolith: Forsaken by Light é a história bem construída, inserindo o jogador mais intensamente no clima do jogo. Essa história é marcada por tragédia, sobrevivência e a luta contra forças que emergem das trevas. O enredo se passa na cidade de Remore, outrora próspera graças ao poder do Memolith, uma estrutura luminosa que sustentava a vida e a ordem.

Infelizmente, tudo mudou quando o Memolith entrou em colapso. A luz que protegia Remore se apagou. Isso mergulhando a cidade em caos absoluto. Sem sua energia vital, o reino foi tomado por criaturas monstruosas e pela escuridão sufocante. O que antes era um centro de esperança tornou-se um campo de batalha pela sobrevivência. Os poucos que restaram precisam enfrentar não apenas a fome e a escassez de recursos, mas também inimigos que surgem das sombras

Esse cenário é resultado direto do colapso do Memolith, a estrutura luminosa que sustentava a civilização. Com sua queda, a cidade mergulhou em uma espiral de infestação e corrupção sobrenatural. O que antes era um centro de vida e prosperidade tornou-se um campo de batalha contra forças que parecem brotar do próprio solo, como se a terra tivesse sido amaldiçoada. A opressão não se limita ao ambiente físico: ela se estende ao psicológico.

A atmosfera em Memolith: Forsaken by Light é consistentemente opressiva, permeada por uma sensação de desespero que acompanha cada passo do jogador. O design do mundo não apenas sugere decadência, mas a materializa em cada detalhe: ruas desertas cobertas por escombros, casas abandonadas e construções em ruínas que remontam aos tempos de calmaria da cidade. A narrativa também se desenvolve através de fragmentos de arquivos que podem ser encontrados nas ruínas das construções. Esses textos servem para contar a história de determinados personagens e acontecimentos, mas não apenas, também servem como pistas para determinadas missões, sendo cartas de uma pessoa para outra.

Os gráficos apresentam cores pesadas e saturadas que enfatizam o momento desolador que esse mundo está vivendo. O design do mundo reflete essa dualidade entre o passado e o presente: ruínas que lembram a ordem perdida coexistem com a infestação que cresce sem controle. Essa estética cria uma narrativa visual poderosa, onde cada cenário reforça a ideia de que a civilização não apenas caiu, mas foi devorada por algo maior e mais terrível. As cores dominadas por tons escuros e frios, como cinza, preto e azul profundo, que reforçam a sensação de decadência. O contraste aparece em pequenos fragmentos de luz dourada ou branca, vindos dos Pilares Guia, que funcionam como esperança para sua missão.

Você terá três capítulos para explorar, cada um deles com diversas locações que mantem o aspecto decadente e soturno do jogo. A impressão que temos é de estar em um simulador de masmorras, mas sem estar em masmorras de fato. Conforme você avança no jogo e supera cada capítulo e nível, os gráficos ficam mais detalhados, reforçando ainda mais a impressão de avanço. Graficamente, apesar de não ter nenhum advento das tecnologias mais modernas, os gráficos de Memolith: Forsaken by Light são de muito bom gosto.

Em meio a escuridão, a busca é pelos pilares e fragmentos que trarão luz a sua jornada

Sua missão em Memolith: Forsaken by Light fica clara desde os primeiros instantes, e isso é um dos elementos que tornam a experiência tão envolvente. Você começa controlando um personagem solitário, mas loco recrutará novos membros para sua jornada. Cada um desses membros terá uma “profissão” específica, como arqueiro ou guerreiro. Essa é uma direção clássica nesse gênero e não espere inovações nesse aspecto. Jogadores experientes vão ter uma experiência sólida e distante de grandes surpresas.

O jogo não deixa espaço para dúvidas: há um objetivo definido, e essa clareza ajuda até mesmo o jogador mais casual a se sentir orientado, sem a preocupação constante de estar perdido ou caminhando na direção errada. O propósito central é recolher os fragmentos do Memolith, conhecidos como Pilares Guia, que representam não apenas a meta principal, mas também a esperança de restaurar a luz em um mundo mergulhado na escuridão.

Cada pedaço encontrado é um passo em direção à reconstrução da ordem e à sobrevivência em meio ao caos. Para auxiliar nessa jornada, o jogador conta com o rastreador de luz, um artefato essencial que funciona como bússola espiritual. Ele identifica a direção dos Pilares Guia e emite um pequeno feixe luminoso, servindo como guia em meio às trevas sufocantes. Essa mecânica reforça a sensação de estar sempre perseguindo um propósito maior, mesmo quando o ambiente parece hostil e sem saída.

Sempre que um Pilar é localizado, cabe ao jogador ativá-lo. Esse ato não é apenas funcional, mas simbólico: ao acender o Pilar, a área ao redor é iluminada, afastando a escuridão e revelando caminhos antes ocultos. É como se cada ativação fosse uma vitória contra a decadência que consome o mundo. A progressão da missão transmite uma sensação de avanço constante. Cada fragmento recolhido e cada Pilar ativado não apenas clareiam o cenário, mas também reforçam a narrativa de resistência contra a corrupção sobrenatural.

O jogador sente que está devolvendo pequenas parcelas de esperança a um mundo devastado. Essa estrutura narrativa e mecânica cria um ciclo de recompensa claro: buscar, encontrar, ativar e iluminar. O rastreador de luz garante que o jogador nunca se perca, enquanto os Pilares funcionam como marcos de conquista. A cada nova área iluminada, a sensação de estar vencendo a escuridão se intensifica. Entretanto, o jogador mais dedicado terá muito mais o que fazer, além da árdua missão de iluminar esse mundo.

A exploração não é passiva e desempenha um papel fundamental na estratégia e posicionamento no campo de batalha.

A desenvolvedora Black Anchor acertou ao criar um sistema de exploração ativo que mantém o jogador constantemente em alerta. Apesar da liberdade quase total para explorar o terreno, cada avanço precisa ser calculado, já que os inimigos estão espalhados pelo cenário e podem ser alertados caso você entre em seu campo de visão. Esse detalhe adiciona uma camada de tensão constante, obrigando o jogador a pensar em estratégias antes de se aproximar de um Pilar Guia ou de qualquer área infestada.

Quando um inimigo é alertado, ele não apenas inicia o combate, mas também convoca aliados, formando emboscadas que podem virar o rumo da partida. Nesse momento, a exploração livre dá lugar ao RPG Tático por Turnos, onde cada decisão é crucial. O jogador passa a controlar seus personagens em um campo de batalha dividido em turnos, com movimentação limitada e ações que dependem de pontos de ação (PA) ou pontos de técnica (PT).

Os ataques ativos consomem esses pontos e variam em intensidade e alcance. Um golpe pode atingir apenas um inimigo ou, se bem-posicionado, causar danos em múltiplos adversários. Essa mecânica exige planejamento: gastar todos os pontos em um ataque poderoso pode deixar o personagem vulnerável, enquanto dividir os pontos em ações menores pode garantir mais flexibilidade. Já as habilidades passivas funcionam como suporte estratégico. Elas podem oferecer buffs, aumentando atributos como defesa ou velocidade, ou aplicar debuffs nos inimigos, reduzindo sua força ou limitando seus movimentos.

Algumas habilidades permitem afastar adversários, proteger pontos vulneráveis ou até manipular o posicionamento no campo de batalha, criando oportunidades para ataques coordenados. Esse equilíbrio entre habilidades ativas e passivas é o coração do sistema de combate. O jogador precisa avaliar constantemente se vale mais a pena investir em ofensiva direta ou em suporte tático. Em situações de emboscada, por exemplo, uma habilidade passiva de defesa pode salvar o grupo, enquanto em confrontos contra chefes, ataques ativos bem planejados são essenciais para reduzir a ameaça rapidamente.

Como o uso de múltiplas armas implicam na estratégia durante os confrontos

Em Memolith: Forsaken by Light, o jogador tem a possibilidade de utilizar mais de uma arma durante o combate, e isso abre um leque estratégico muito interessante no campo de batalha. Cada arma possui um conjunto próprio de habilidades ativas e passivas, além de diferentes custos de pontos de ação (PA) ou pontos de técnica (PT). Essa diversidade permite que o jogador adapte sua abordagem conforme a situação.

Por exemplo, uma arma de longo alcance, como um arco ou besta, pode ser usada para atingir inimigos antes que eles se aproximem, controlando o fluxo da batalha e evitando emboscadas. Já uma arma de curto alcance, como espadas ou lanças, é mais eficaz em confrontos diretos, permitindo ataques poderosos contra adversários próximos. Alternar entre essas opções durante o combate garante flexibilidade e aumenta as chances de sobrevivência.

Além disso, algumas armas oferecem habilidades passivas que fortalecem o personagem ou enfraquecem o inimigo. Uma espada pode conceder bônus de defesa, enquanto um arco pode aplicar debuffs de velocidade, dificultando a movimentação dos adversários. Já as habilidades ativas variam entre ataques em área, golpes que empurram ou puxam inimigos, e até movimentos que reposicionam o personagem para escapar de situações perigosas.

O uso estratégico de múltiplas armas também permite criar sinergias entre personagens do grupo. Enquanto um personagem utiliza uma arma para aplicar debuffs, outro pode aproveitar a vulnerabilidade do inimigo com ataques mais fortes. Essa coordenação transforma cada batalha em um quebra-cabeça tático, onde a escolha da arma certa no momento certo pode definir a vitória. Armas de longo alcance, como arcos ou bestas, são ideais para iniciar batalhas à distância, controlando o avanço dos inimigos e evitando emboscadas.

Já armas de curto alcance, como espadas ou lanças, oferecem maior impacto em combates diretos, permitindo ataques poderosos contra adversários próximos. Essa alternância garante flexibilidade e aumenta as chances de sobrevivência. Além disso, o uso combinado de armas pode criar sinergias entre personagens do grupo. Enquanto um personagem aplica debuffs com uma arma específica, outro pode aproveitar essa vulnerabilidade para desferir ataques mais fortes com outra arma. Essa coordenação transforma cada batalha em um verdadeiro quebra-cabeça tático.

Em Memolith: Forsaken by Light o ambiente funciona com debuff, corrompendo os personagens em detrimento da luz que liberta purifica o ambiente

Outro aspecto muito bem pensado e que implica em mais um fator estratégico para o jogador se preocupar é a corrupção é um elemento central que influencia diretamente a vontade do jogador e a forma como ele encara cada decisão. Ela não é apenas um detalhe estético ou narrativo, mas um sistema que afeta tanto os personagens quanto a experiência psicológica de quem joga. Note como apesar de ajudar o jogador com uma jogabilidade e objetivos práticos, a desenvolvedora modelou o campo de batalha para criar um ambiente estrategicamente ativo.

A corrupção representa a decadência sobrenatural que tomou conta da cidade de Remore após o colapso do Memolith. Ela se manifesta em inimigos mais fortes, ambientes hostis e até na mente dos sobreviventes, criando um clima constante de opressão. Ao entrar em uma região altamente corrompida, o rastreador de luz pode falhar em indicar claramente os Pilares Guia, obrigando o jogador a arriscar caminhos incertos.

A corrupção pode reduzir a eficácia de itens de cura, fazendo com que o jogador precise decidir se vale a pena gastar suprimentos raros em uma batalha ou guardar para um confronto maior. Os inimigos corrompidos podem ignorar debuffs ou resistir a ataques que normalmente seriam eficazes, forçando o uso de armas alternativas ou habilidades passivas de suporte. Estrategicamente isso pode ser um problema, pois além de usar uma habilidade passiva que não funcionará, o jogador ainda perderá uma PA inutilmente.

Mais preocupante, os personagens aliados podem ser afetados pela corrupção, perdendo força de vontade e quando a barra se completar, começará a perder energia gradualmente. Ademais, o ponto mais agressivo da influência da corrupção fará com que seu personagem se volte contra o grupo. Na narrativa, a corrupção também funciona como um personagem, pois ela é um lembrete que a escuridão é nociva e está tomando conta do mundo, cada Pilar Guia purificado é um passo para libertar o mundo da corrupção.

Não há comprometimento em jogar no teclado e mouse, mas a falta de suporte a controles deixa o jogo limitado, principalmente no seu Steam Deck

Quando terminei meu download de Memolith: Forsaken by Light, a expectativa era mergulhar na experiência com meu controle de PC, como faço em tantos outros jogos. Porém, a decepção foi imediata: não há suporte oficial para controles. Essa ausência impacta diretamente a jogabilidade, principalmente para quem está acostumado com a ergonomia e a fluidez dos comandos tradicionais.Sem suporte, o jogador precisa recorrer ao teclado e mouse.

Note que essa impressão é perfeitamente imaginável, pois cada vez mais pessoas estão experimentando sair dos consoles para jogar no PC, principalmente games exclusivos da plataforma, como o caso de Memolith. Se você for jogar em dispositivos móveis como o Steam Deck, a experiência fica ainda mais complexa, pois o jogador perderá toda a vantagem da mobilidade. Você ainda pode configurar para melhorar a experiência, mas de qualquer forma, ela não é intuitiva no portatil da Valve ou outro como o ROG Xbox Ally.

Mas se os controles podem ser um problema, a experiência gráfica é excelente e oferece uma diversão concisa e bela. Os gráficos mantêm a beleza na tela do portátil e ganham ainda mais nitidez, principalmente se for uma tela OLED. Os efeitos de iluminação continuam intensos e corroboram a estética obscura do jogo. As animações também mantêm a mesma qualidade, ainda que a tela menor comprometa a visualização de algumas animações. Não existem ajustes de desempenho no jogo, o que deixa tudo intuitivo.

Não existem configurações de desempenho, o que deixa a experiência ainda mais intuitiva. Pelo tempo que joguei no Steam Deck não notei nenhuma queda de desempenho, mantendo os 60 FPS sempre firmes. Mesmo nos momentos com mais elementos na tela, o jogo não sofre com nenhum tipo de travamento. O sistema de ponto de controle é generoso, oferecendo mais possibilidade de manter o progresso caso você precise sair do jogo rapidamente.

Ademais, o jogo poderia ser uma experiência interessante em um PC portatil, expandindo ainda mais a base de jogadores, mas infelizmente, essa possibilidade está comprometida pela falta de controles verificados para o Steam Deck. Ainda que exista a possibilidade de se usar controles customizados compartilhados pela comunidade, no momento de fechamento dessa review, não havia nenhuma. Vale ressaltar que a desenvolvedora Black Anchor já se pronunciou sobre o lançamento de um patch que adicionará controles, mas sem uma data definida.

Memolith: Forsaken by Light — Vale a Pena?

Com uma jogabilidade intuitiva e uma curva de dificuldade suave, Memolith: Forsaken by Light é um jogo que privilegia a estratégia seja durante as batalhas ou enquanto explora o ambiente contaminado pela corrupção. A atmosfera opressora e obscura enfatiza a narrativa, com gráficos pixel art com cores pesadas e saturadas. Alguns textos poderiam ser maiores e a falta de suporte a controles é um problema, desequilibrando a experiência, principalmente em dispositivos móveis. Memolith: Forsaken by Light é um jogo divertido, impactante e principalmente, bem-feito.

7.0
Memolith: Forsaken the Light
NOME DO JOGO

ÓTIMO

Com elementos estratégicos sólidos e gráficos imersivos, Memolith é um jogo divertido e desafiador na medida certa. A falta de suporte a controles pode atrapalhar a experiência.

Pontos positivos👍.

  • Narrativa e gráficos imersivos.
  • Dificuldade com progressão suave.
  • Estratégia bem definida e diversificada.

Pontos negativos👎.

  • Textos pequenos.
  • Poucas opções de ajustes desempenho e acessibilidade.
  • Sem suporte oficial para controles.
🎮 Jogo foi avaliado mediante cópia cedida pela Keymailer.

Marcelo Souza

Apaixonado por jogos e consoles desde 1990. Quando não esta escrevendo em algum site de games, esta jogando ou ensinando o Felipe a jogar.

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