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Jogos Exclusivos | Ex-chefe do PlayStation acredita que exclusivos AAA se tornaram o “calcanhar de Aquiles”

Não estamos fazendo o suficiente para colocar até agora pessoas que não são de console nos consoles

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Jogos exclusivos sempre fizeram parte da indústria de jogos. Desde a década de 80/90 com o confronto entre SEGA e Nintendo, até o novo embate entre Xbox e PlayStation, jogar um game de orçamento elevado em um determinado console, é fator preponderante na escolha de um hardware. Entretanto, com diversas desenvolvedoras demitindo funcionários e muitos jogos com dificuldade em arrecadar faturamento líquido, a discussão sobre a saúde da indústria com relação ao desenvolvimento desses jogos está em discussão.

Vender mais jogos para suprir os custos de desenvolvimento é o assunto em questão, entretanto, com a exclusividade de jogos aplicadas, as desenvolvedoras se veem cada vez mais limitadas com relação às vendas e os riscos do sucesso de um game AAA, se tornam cada vez mais altas.

Abordando essa pauta, Shawn Layden – ex-CEO da Sony Worldwide Studios, que deixou o PlayStation em 2019 – acredita que chegamos ao ponto em que, graças aos orçamentos mencionados, a exclusividade se tornou o “calcanhar de Aquiles” do desenvolvimento AAA.

“Quando os custos para um jogo ultrapassam US$ 200 milhões, a exclusividade é seu calcanhar de Aquiles. Isso reduz seu mercado endereçável. Especialmente quando você está no mundo dos jogos de serviço ao vivo ou free-to-play. Outra plataforma é apenas mais uma forma de abrir o funil, fazendo com que mais pessoas entrem. Em um mundo free-to-play, como sabemos, 95% dessas pessoas nunca gastarão um níquel. O negócio é tudo sobre conversão. Você tem que melhorar suas chances abrindo o funil. Helldivers 2 mostrou isso para PlayStation, saindo no PC ao mesmo tempo. Mais uma vez, você tem esse funil mais largo. Você coloca mais gente dentro.”

– Shawn Layden

Layden também ressalta que, embora a situação não seja a mesma com títulos single-player, os lançamentos multiplataforma continuam a parecer atraentes, mesmo que o impulso de vendas que eles fornecem possa parecer mínimo. De acordo com Layden, isso se resume ao fato de que o mercado de consoles não cresceu em três décadas. Podemos notar que enquanto os custos par o desenvolvimento de jogos aumentam severamente, a base instalada dos console se mantém a mesma, sendo que muitos que adquirem um console atualmente, já tiveram um PS4 ou um Xbox anteriormente.

“Para jogos single-player não é a mesma exigência. Mas se você está gastando US$ 250 milhões, você quer poder vendê-lo para o maior número de pessoas possível, mesmo que seja apenas 10% a mais. A base global instalada para consoles – se você voltar para o PS1 e tudo o mais empilhado lá, onde quer que você olhe para ele, os consoles acumulados lá fora nunca chegam a mais de 250 milhões. Simplesmente não. Os dólares subiram ao longo do tempo. Mas eu olho para isso e vejo que estamos apenas tirando mais dinheiro das mesmas pessoas. Isso aconteceu durante a pandemia, que fez com que muitas empresas investissem demais. Olha os nossos números subindo! Temos que correr atrás desse foguete!”

– Shawn Layden

Diante de um vislumbre tão severo do mercado de games, a pergunta que fica é, qual o caminho a seguir e o que esperar com relação a jogos em um futuro não tão ditante? Layden termina dizendo:

“Não estamos fazendo o suficiente para colocar até agora pessoas que não são de console nos consoles. Não vamos atraí-los fazendo mais a merda que estamos fazendo agora. Se 95% do mundo não quer jogar Call of Duty, Fortnite e Grand Theft Auto, a indústria só fará mais Call of Duty, Fortnite e Grand Theft Auto? Isso não pegará mais ninguém”.

– Shawn Layden

Marcelo Souza

Apaixonado por jogos e consoles desde 1990. Quando não esta escrevendo em algum site de games, esta jogando ou ensinando o Felipe a jogar.

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