Se tem algo que serviços de assinaturas de games como a PlayStation Plus da Sony ou o Game Pass da Microsoft proporcionam, são oportunidades. Final Fantasy XII: The Zodiac Age é um bom exemplo disso, pois as pessoas que não são familiarizadas com a franquia, dificilmente jogariam o game quase 17 anos após seu lançamento.
Final Fantasy XII Zodiac Age é a remasterização do jogo original. Essa versão foi lançada em 2017 para a então, mais atual geração de consoles e apresenta algumas melhorias gráficas e aprimoramentos no sistema de batalha que tornaram o game mais moderno.
Com a chegada do game no serviço de assinatura de jogos da Sony, essa é uma boa oportunidade de trazermos um review com um olhar mais atual do grande RPG da Square Enix. Confira abaixo.
- Jogo: Final Fantasy XII: The Zodiac age
- Desenvolvedora: Square Enix
- Publicadora: Square Enix
- Lançamento: 11 de julho de 2017
- Número de Jogadores: Single Player
- Gênero: RPG
- Plataformas: PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series X/S, Switch e PC
- Site Oficial: Aqui
O poder da Vingança
A história de Final Fantasy XII se passa no mundo de Ivalice, onde ocorre uma guerra entre os impérios do norte e do sul, Archadia e Rozarria. Entre estes dois territórios encontra-se o pequeno Reino de Dalmasca, ameaçado pela guerra. O rei Raminas de Dalmasca é assassinado, e o príncipe Rasler acaba morto na guerra, deixando Dalmasca vulnerável à invasão de Archadia.
Neste contexto, você controla Ashe, a princesa viúva — dada como morta — mas lidera secretamente a Resistência, grupo de rebeldes que busca vingança pela morte do Rei de Dalmasca; Basch, um capitão sentenciado à morte; os piratas do céu Balthier e Fran; além de Vaan e Penelo, dois jovens que vivem em uma cidade de Dalmasca e acabam envolvidos nessa trama de vingança.
Vale ressaltar que a versão remasterizada The Zodiac Age não faz nenhuma alteração no enredo de Final Fantasy XII.
Uma nova imagem para uma velha lembrança
Lembro muito bem da minha primeira experiência com Final Fantasy XII, foram cerca de 120 horas muito bem gastas, em uma época onde terminar um game dessa magnitude não era tão fácil como hoje. De imediato percebemos que o game envelheceu extremamente bem, e ainda contínua com sua proposta extremamente clara e objetiva.
Final Fantasy XII: The Zodiac Age não mudará a opinião de quem não gostou do game anteriormente, seja na proposta ordinal ou na sua remasterização. A maior vantagem do game é tentar angariar novos fãs da franquia. E nesse aspecto o game é certeiro, pois podemos considerar que essa é a última experiência da franquia Final Fantasy como a conhecemos.
Somos apresentados a uma história tipicamente usada na franquia. A guerra, revolta e parcialidade dos personagens nos dão a perspectiva da história nas próximas dezenas de horas. Ainda que ela seja clichê, é melhor do que a entrada mais recente da franquia, estando longe da narrativa quase adolescente do último game.
Infelizmente, as coisas no aspecto da narrativa ainda continuam sem graça. Nosso protagonista é seus amigos não conseguem cativar o jogador por muito tempo, e quando você menos espera esta pulando os diálogos. Não por eles literalmente falando, o problema está na falta de carisma dos personagens em lidar com o que está acontecendo. O fato de mesmo os personagens mais importantes da história não conseguirem transparecer essa importância, é um problema que perdura.
Conseguir criar uma simpatia por Vaan e Ashe é difícil. A sensação que temos é de que poderia ser qualquer um que não faria diferença. Vindo diretamente de Final Fantasy X onde tínhamos Tidus e Yuna, as coisas ficam ainda mais complicadas. De fato, não é a história que implica na falta de empatia, mas na própria criação dos personagens, apáticos e sem qualquer carisma. Por muitas vezes me perguntei qual era mesmo a motivação de Vaan e sua trupe de amigos, e nesses momentos entendi por que estava pulando muito dos diálogos.
Mas se você já jogou Final Fantasy XII sabe bem do que estou falando, e isso não atrapalhará sua diversão. Não ao ponto de você largar o jogo, já que os pontos positivos vão bem além dos personagens e da história. Ademais, a história é outro ponto duvidoso. Não que seja ruim, mas ela poderia nos surpreender em algum momento. Mas infelizmente, depois que entendemos e entramos na narrativa, nada mais acontece e tudo vai se resumir na resistência ao novo império enquanto lutamos para colocar nossa princesa no devido lugar. Confesso que esperava um pouco mais, dentro dessa própria narrativa, dava para chegar em. Acontecimentos mais marcantes.
Desde Final Fantasy VI, a franquia alterna momentos memoráveis de narrativas e batalhas em todos os jogos, isso até Final Fantasy XII, pois a narrativa e a criação dos personagens, apesar de ainda complexos, não prendem o jogador.
Deixando a apatia de lado
Se a história se mostra apática em muitos momentos e a história de nossos heróis passam desapercebidas, o combate já é o oposto. Em Final Fantasy XII: The Zodiac Age arrisco dizer que temos o combate mais divertido da franquia. A mistura de diversas possibilidades aliado ao sistema de Gambits me fez lutar, lutar e lutar mais ainda, pois cada batalha se mostrava uma nova experiência cheia de diversão.
O combate passivo aliado ao sistema de gambit proporciona ao jogador muitas possibilidades, e o mais legal é que o game deixa você com liberdade total para explorar centenas de estratégias e formações. Atacar, roubado, curar, White Mage, Black Mage, você pode escolher e mudar a qualquer momento ou em qualquer inimigo.
Ataque físico, somado a um Black Mage com suporte a White Mage e ainda podendo alternar itens que podem curar ou infringir status aos inimigos. Quando tudo isso funciona de maneira eficaz contra inimigos mais complexos, a diversão é garantida. Some isso ao sistema de Jobs que além de oferecer diversas possibilidades, ainda exige estratégia para que o jogador atribua os equipamentos corretos para cada personagem. Melhorando e já era muito sofisticado, na versão Zodiac Age podemos atribuir duas classes para cada personagem, e desenvolver cada uma delas só torna tudo ainda mais divertido.
Para aqueles que gostam de experimentar, o sistema não é punitivo, é você pode retroceder caso tenha tomado alguma decisão equivocada. Sequer você perde seus pontos de licença, induzindo o jogador a mudar, experimentar e criar combinações faz toda a diferença. A sofisticação é o esmero que foi aplicado no sistema de batalha é evidente, e deixa claro como o aspecto da narrativa poderá acompanhar essa qualidade, mas infelizmente nem tudo é perfeito.
Pelo mundo afora eu vou…
Outro fator marcante em FFXII: The Zodiac Age é seu mundo vasto e cheio de vida. Lembre-se que estamos falando de um game de PlayStation 2. A experiência no mundo aberto de Final Fantasy XII, estende em muito as possibilidades, chegando só ponto de parecer que existem vários nundos em um só.
Assim que saímos de qualquer cidade ou masmorra, podemos explorar e vagar livremente. Ao menos é o que você acha. Se expirar traz itens ótimos, também ocasiona o encontro com inimigos extremamente fortes. Nesse ponto somos ainda mais privilegiados, pois a diversão se transforma quando saímos do caminho evidente para uma exploração mais indefinida.
Durante o game percebemos que a quantidade de itens a disposição é muito basta, e quando exploramos vamos ainda mais além, pois podemos adquirir itens únicos que pode abrir mais recursos no bazar do jogo. Para que gosta de tirar o máximo do jogo, a quantidade de possibilidades torna Final Fantasy XII um game para ser apreciado por horas e horas, em um mundo vasto e cheio de possibilidades.
A beleza que vai além dos detalhes
Desde seu lançamento original, Final Fantasy XII já era um game belo, desde o primeiro minuto de jogo é perceptível a grandiosidade gráfica e épica do jogo. Aliás, esse sempre foi um aspecto da franquia Final Fantasy. A Square Enix sempre usou a franquia como parâmetro de qualidade, e não diferiu aqui.
Em Zodiac Age, além de exaltar a qualidade que a Square Enix aplicou no jogo, o pessoal da Virtuos melhorou ainda mais o game. Para quem não conhece o game original, talvez as coisas não fiquem claras, mas que jogou o game original, sabe o salto que foi essa versão remasterizada.
As texturas em alta definição, aliado aos personagens que receberam novos detalhes, deixaram o game bem mais atraente. Além disso, temos as melhorias na iluminação, trazendo ainda mais vida em muitos ambientes (alguns ainda continuam escuros e sem vida.). As cenas do jogo estão em 1080p, o que deu uma qualidade incrível a experiência gráfica, a trilha sonora reorquestrada, com músicas inéditas deram o charme final ao jogo.
Mesmo jogando no PlayStation 5, a melhor experiência está no PC e Xbox One X, com ambos rodando o game à 60 FPS, as demais versões rodam em 30 FPS em batalha e 60 FPS nos menus. Percebi uma pequena melhoria nos loadings do jogo, mas nada que mude a experiência. No Xbox Series X o game consta como otimizado, mas na página oficial com os games otimizados para o console, o game não está listado. Enfim.
A última atualização do game foi o patch 1.08 (PS4) ou versão 1.0.40 (PC) adicionando uma função para resetar os trabalhos, além de ampliar o sistema de Gambits para três sets. No PS4 também foi adicionada uma opção de OST para ouvir a trilha sonora do jogo no menu de música.
O game envelheceu muito bem e os gráficos continuam belos e com extrema riqueza de detalhes. As cidades são cheias de vida e a população é vibrante. A impressão que temos é que estamos em um MMORPG. Todas as metrópoles são cheias de arranha-céus, trazendo imponência ao jogo. Além disso, temos dezenas de lojas para visitar, e uma lista enorme de afazeres para além da história principal.
No mundo aberto as coisas não mudam, os ambientes são variados e passam com exatidão o clima e ambientação, com criaturas específicas encontradas apenas em determinadas regiões do continente. Todas as criaturas apresentam boa quantidade de textura em um level design extremamente cuidadoso.
Final Fantasy XII contínua com a mesma exuberância gráfica de outrora, e isso é ótimo.
Trials Mode – O gosto do desafio
O Trial Mode funciona como um Bonus nessa nova versão, mas a função dele vai bem mais além do que um modo para que o jogador desfrute um pouco mais do jogo.
No Trial Mode, você carrega seu save diretamente do jogo, podendo trazer seu grupo de personagens com seus status vigentes, podendo enfrentar desafios que ocorrem a cada 10 fases. No final você pode receber ótimas recompensas. O melhor é que tudo que é recebido, pode ser aplicado no jogo principal, tornando o modo bastante atrativo, e não apenas um modo específico.
Além disso, o Trial Mode pode render boas horas de batalhas, pois no total são 100 fases, e você vai enfrentar inimigos realmente difíceis. Batalhas contra Omega Mark XII (1 milhão de HP) e Yiazmat (50 milhões de HP) prometem uma luta épica, mesmo se você estiver bem preparado. Bora encarar?
Final Fantasy XII: The Zodiac Age – Vale a pena?
A franquia Final Fantasy está sempre em evidência, e a grande maioria dos jogadores estão sempre esperando por um novo game da franquia, querendo ser surpreendido por um game épico, bonito e desafiador.
Entretanto, enquanto esse novo Final Fantasy não chega, já ponderou retornar ou conhecer essa mesma experiência em um game já disponível? Final Fantasy XII: The Zodiac Age tem tudo aquilo que os fãs esperam da franquia: bons gráficos, um sistema de batalha conciso, boa história e um desafio para uma centena de hora.
O game escorrega com personagens pouco ou nada carismáticos, é uma história bem conhecida, mas esses fatores são amenizados em um game bem divertido e balanceado. Passar horas explorando o jogo e lutando é um prazer, principalmente quando você aprende a usar o sistema de Jobs e Gambits.
Final Fantasy XII: The Zodiac Age, para quem curte RPGs ou apenas é exigente com jogos, ainda é uma experiência extremamente relevante e divertida, nos mostrando que a diversão está muito além das plataformas mais modernas. A diversão está na criação não de um jogo perfeito, mas sim no balanceamento entre defeitos e virtudes.
Final Fantasy XII: The Zodiac Age | REVIEW
Gráficos - 9
Jogabilidade - 8.5
Diversão - 9
Som - 9
Dificuldade - 8.5
Longevidade - 8.5
8.8
Ótimo
Final Fantasy XII: The Zodiac Age tem tudo aquilo que os fãs esperam da franquia: bons gráficos, um sistema de batalha conciso, boa história e um desafio para uma centena de hora. O game escorrega com personagens pouco ou nada carismáticos, é uma história bem conhecida, mas esses fatores são amenizados em um game bem divertido e balanceado.