O cenário de desenvolvimento de games brasileiro é uma realidade. Se há duas décadas as publishers mal aceitavam nossos jogos em seus consoles, hoje a maioria dos lançamentos estão presentes em quase todas as plataformas. Diante disso, a maturidade é inevitável, e Mark of the Deep é a prova disso. O jogo da Dev paulista Mad Mimic Interactive aposta em várias influências, criando um jogo divertido, abrangente e marcante. Confira nossas impressões de mais esse grande game made in brazil!
- Jogo: Mark of the Deep
- Desenvolvedora: Mad Mimic
- Publicadora: Mad Mimic, Light Up Games
- Lançamento: 24 de janeiro de 2025
- Número de Jogadores: 1
- Gênero: Aventura
- Plataformas: Steam, Epic
- Site Oficial: Mad Mimic

Entre piratas e maldições, uma aventura divertida e cheia de inspirações.
Piratas, um universo prolífero para histórias fantasiosas, e cheias de mistério e aventura, quem de nós nunca se pegou em meio a uma história que envolve os mistérios do mar, seja explorando ou lavando um convés? Pois bem, nossa aventura começa enquanto estamos navegando pelos mares. Em uma dessas navegações, nossos simpáticos piratas sofrem um acidente.
Durante uma tempestade que nos envolve de maneira repentina e violenta, nosso navio naufraga e paramos em uma ilha misteriosa e mística, até então conhecida apenas por mitos e contos, contados por quem, assim como nós, navega pelos mares e seus perigos. Emprestando suas habilidades a Marcus “Rookie” Ramsey, explore as áreas misteriosas desta ilha cercada por uma misteriosa maldição em busca de sua tripulação desaparecida: as Sereias Furiosas!
A narrativa nos fornece uma visão atraente do que podemos esperar do jogo. Ainda que essa história não seja tão original, ela consegue despertar nossa curiosidade e também fornece um bom motivo para explorar essa ilha misteriosa. Alie isso a elementos que enriquecem ainda mais a narrativa, como o metroidvania e Soulslike e temos um jogo ainda mais atraente.

A formula da diversão são piratas, monstros e muito mistério.
Mark of the Deep é um game que abrange diversas mecânicas de ótimos jogos, e a maioria delas, foram as melhores que poderiam ser escolhidas. O game nos lembra Diablo, mas também nos remete a diversos games da franquia souls com pitadas de roguelike, com exploração, não deixando de lado a narrativa. Desde os primeiros minutos de jogo, recebemos diversas informações sobre os mistérios da ilha e seus habitantes.
Explorar a ilha é uma aventura bastante prazerosa, logo que conhecemos as habilidades iniciais de Rookie, a jogabilidade se desenvolve com uma curva de aprendizado muito leve, deixando o jogador a vontade. Algo que devemos mencionar, é que desde o início, sentimos a falta do pulo, nos pegamos querendo saltar de uma plataforma para outra de maneira intuitiva, mas logo isso passa. Nossa arma é como um gancho, lembrando aquele personagem pirata que tinha um desses menor em uma das mãos, mas o nosso é bem maior e mais letal.
Usando esse gancho, a batalha se resume a atacar e esquivar rolando no momento certo. Inicialmente é um pouco repetitivo, mas conforme ganhamos algumas habilidades e os inimigos vão se tornando diversificados, tudo fica menos repetitivo. Nosso personagem é ágil e com alguma força, sendo balanceado. Conseguir habilidades novas se torna uma prioridade, pois cada uma delas torna a gameplay mais divertida.
Os inimigos fornecem um desafio justo, principalmente quando você entende a mecânica de combate, a curva de dificuldade é balanceada, deixando o jogador com a sensação de que todos os inimigos podem ser abatidos com um pouco mais de prática, mesmo que você morra algumas vezes para algum deles. A verdade é que os combates poderiam ser um pouco mais complexos, com uma dificuldade mais elevada, tornando as lutas mais emocionantes.
Mesmo as batalhas contra os chefes, poderiam ser mais complexas, implementando mais elementos souls. Os chefes são muito bem desenhados, com golpes marcantes e uma presença ameaçadora, mas quando a luta começa, notamos que a luta é muito equilibrada, deixando o jogador com a sensação de que a vitória acontecerá a qualquer momento. A princípio é divertido, mas sem a ameça dos inimigos nos combates, as coisas ficam um pouco chatas.

Explorar é preciso, ficar perdido, inevitável.
Explorar é preciso. Teremos de explorar cada canto das masmorras da ilha se queremos encontrar os melhores itens, bem como desbravar o jogo como ele foi imaginado. Isso nem de longe é um problema, pois o game é focado nisso, e mesmo que você queira seguir sempre em frente, precisamos nos aventurar para encontrar chaves, itens e principalmente, nossa querida tripulação. Também temos uma boa quantidade de missões paralelas, que ajudam a manter a qualidade de vida do jogo.
Conforme avançamos pelas masmorras, encontramos novas armas e acessórios que ajudam tanto nas batalhas, como na exploração. Mark of the Deep usa o clássico sistema de precisar de terminado item para abrir seguimentos das masmorras. Um exemplo são os totens que servem como interruptores, mas estão inacessíveis. Encontramos estes logo no início do jogo, mas só vamos ter o equipamento necessário para usar esses totens, mais tarde, conforme avançamos nas masmorras.
A exploração é divertida e tenta ser intuitiva, principalmente por não termos um mapa. Entretanto, a falta do mapa é um problema que afeta diretamente a diversão. Explorar as masmorras e sem um mapa, força o jogador a se perder, principalmente conforme as masmorras ficam mais complexas e com inimigos mais desafiadores. A impressão que fica é que a desenvolvedora optou por não ter um mapa para forçar o jogador a explorar ainda mais, contudo, a sensação que fica é de desorientação, pois se o jogador não ficar atento aos locais de interesse, passará boa parte do tempo perdido.
O problema do mapa fica ainda mais evidente quando passamos a nos concentrar nas missões paralelas, você fica se perguntando se os objetivos estão na rota principal ou temos de explorar locais por onde já passamos para concluir essas missões. Ademais, deixar de jogar Mark of the Deep por algum tempo, e voltar ao jogo é um problema. A sensação de desorientação é ainda maior, pois o jogador pode esquecer o que estava fazendo, para onde ir. A falta do mapa afeta diretamente a qualidade de vida do jogo.
A beleza das aventuras “piratianas”
Graficamente, o jogo da Mad Mimic surpreende pela beleza e pelo trabalho de direção. O jogo está rodando na Unreal Engine, proporcionando uma ótima estabilidade e efeitos modernos, que se encaixam perfeitamente no jogo. As masmorras são detalhadas e mesmo nas sobreposições, conseguimos identificar com clareza cada canto das locações. Os detalhes visuais são ricos, cheios de profundidade, com inimigos bem animados e com personalidade, deixando o jogo com uma identidade visual marcante.
Não existem quedas evidentes nos FPS, mantendo a taxa de quadros em um nível que não afeta a jogabilidade ou a beleza do jogo, mesmo durante os combates contra diversos inimigos, o game segura bem. Um detalhe que pode ser reparado pelos jogadores, são os efeitos nos combates, é provável que você se pegue golpeando o inimigo com a certeza de que o fez, só que não. Isso é reflexo do efeito ao usar a arma de Rookie, mas não é nada que afete o combate de fato.
Até aqui, tudo certo, mas não podemos deixar de falar sobre as masmorras. Ainda que tudo esteja muito bem graficamente, algumas escolhas da Dev afetam negativamente a experiência. Quando você passa algumas horas com Mark of the Deep, o game pode ficar repetitivo, principalmente pelo tom de cor e o formato das masmorras. Mesmo quando estamos em um local muito distante do inicial, a sensação que temos é que já fizemos tudo aquilo antes, muito devido à paleta de cores que não muda.
A ideia de manter o mesmo sistema nas masmorras é compreensível, visando manter a identidade do jogo, mas quando não há nenhuma variação na identidade visual, as coisas ficam cansativas a longo prazo. A inserção de ambientes variados dentro da mesma mecânica das masmorras, deixaria o jogo muito mais diverso, principalmente quando imaginamos isso com a qualidade apresentada no jogo. Confesso que espero por isso em uma DLC.
Ademais, quanto a efeitos sonoros e músicas, o jogo mantém a mesma qualidade dos gráficos, optando por um clima de mistério e solidão, contrastando com os momentos de ação. Seria legal uma mudança mais efetiva em momentos decisivos, como, por exemplo, nas batalhas contra os chefes, mas é só um detalhe que o jogador geral não deve notar.

Mark of the Deep — Vale a Pena?
Mark of the Deep é um game que definitivamente deve ser conferido, principalmente por ser divertido, bem feito e descomplicado. O sistema de batalha vai encantar os jogadores que procuram jogos com conceitos soulslike, mas que não querem a mesma complexidade. Para os jogadores mais exigentes, o sistema de combate pode parecer simples demais, mas ainda sim, vão se divertir enquanto lidam com inimigos e chefes muito bem trabalhados.
A exploração é o ponto forte do jogo, aliado a narrativa e missões paralelas bem implementadas. A falta de um mapa pode irritar os gamers menos pacientes, mas sempre haverá a vontade de explorar um pouco mais, ainda que possa ser complicado se você ficar muito tempo longe do game. Esses pormenores fazem diferença no jogo, mas não comprometem o excelente trabalho da desenvolvedora.
Mark of the Deep é mais um game que mostra todo o amadurecimento da indústria nacional de games no geral. Mark of the Deep é uma aventura que deve ser conferida por todos que gostam de games, seja o jogador hardcore ou mais casual, não por ser um game nacional apenas, mas por ser um game nacional acima da média.
Mark of the Deep foi avaliado mediante uma cópia de revisão gratuita fornecida pela Keymailer.
Mark of the Deep | REVIEW
Gráficos - 8.5
Jogabilidade - 8.5
Diversão - 9
Som - 8
Dificuldade - 7.5
Fator Replay - 7.5
8.2
Ótimo
Mark of the Deep mira e acerta precisamente na diversão, com uma jogabilidade descompromissada e com uma narrativa envolvente e de fácil entendimento. Pequenos defeitos como a falta de um mapa e ataques imprecisos não afetam o resultado do game, que está acima da média.