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The Sandman | CRÍTICA

A Netflix esta trazendo uma das historias mais amada e cultuada do mundo dos quadrinhos para o telas. A historia contada pelo escritor Neil Gaiman ganha vida através de uma adaptação feita pelo próprio autor em parceria com David S. Goyer e Allan Heimberg. The Sandman nos apresenta os principais personagens da trama e tenta criar o mesmo mundo que encantou os leitores nos quadrinhos.

É sempre muito difícil avaliar quando uma obra como Sandman, sai do seu mundo original e tenta figurar o mesmo sucesso nas telas. Corresponder as expectativas que só aumentaram ao longo de mais de 30 anos de espera é algo evidentemente complexo. Além disso, inserir uma historia tão longa dentro da série, também tem seu grau de dificuldade, e talvez seja esse o principal ponto a se questionar nesse caso.

De quaçquer maneira, vou deixar aqui minhas impressões da série, isso vindo de quem conheceu Sandman através da editora Globo lá no inicio dos anos 90 e consome esse conteúdo até os dias de hoje.

Após 32 anos, Sandman chega em formato de série através da Netflix

Fidelidade ao frio e etéreo universo de Morpheus

Uma coisa que deve ser esclarecida e vai ficar evidente para quem acompanha os quadrinhos de Oneiros (Sandman é conhecido por diversos nomes) é que algumas partes da sua personalidade foram mudadas na série para tentar criar um ambiente onde os personagens do universo dessa historia, sejam inseridos de maneira mais rápida.

Nosso protagonista é interpretado por Tom Sturridge, que para meu espanto esta muito fiel ao que eu esperava. O ator consegue passar toda frieza e elegância de Morpheus de maneira muito satisfatória. O clima soturno e etéreo junto a palidez do personagem, criaram um ambiente que nos remete as historias que são contadas.

O ator consegue se equilibrar mesmo nos momentos mais difíceis, e com a ajuda do jogo de câmeras, os lapsos interpretativos, o a falta de um evento marcante do HQ, passa batido diante de tanta qualidade cenográfica. Entretanto, nem tudo é equilibrado, e com o passar de algumas horas algo fica muito evidente.

Infelizmente, em muitos momentos, Sandman parece assistir a sua própria historia, sem exercer o protagonismo que lhe é merecido. Até mesmo alguns pontos da personalidade do nosso Oneiros foram negadas. Os interesses, as ambições e principalmente as vontades do nosso protagonista mudam muito rápido, e isso faz com que a historia em alguns momentos fique rasa.

Conforme mencionei acima, a necessidade de inserir todos os perpétuos dentro do universo de Sandman, pareceu apressada e desajeitada, como se nosso protagonista tivesse tomando todas as suas atitudes em prol de inserir esses personagens. Mas vale ressaltar que isso fica mais evidente para que conhece a história dos quadrinho, se esse é seu primeiro contato com Sandman, você dificilmente vai perceber esses nuances.

Série se mantém fiel aos quadrinhos, mas escorrega em alguns pontos.

O elenco de perpétuos

Sandman não seria o que é sem seus irmãos, e todos eles estão presentes de maneira marcante nesse inicio da série. Confesso que alguns deles estão presentes até demais, deixando quase que explicito que uma historia independente para alguns deles, pode acontecer a qualquer momento. Não que isso seja ruim, na verdade alguns desses personagens até merecem seu destaque, como é o caso do Coríntio, vivido por Boyd Holbrook.

Além dele, temos outro personagem que também ficou fiel ao que eu esperava ver. Kirby Howell Baptiste é a morte, personagem tão intrigante em toda a jornada de Morpheus. Assim como nos HQs, temos uma personagem rica, com personalidade marcante, totalmente avessa a determinados padões. A morte despeja sua empatia na série, nos deixando em um confronto direto sobre o que esperar dessa personagem.

Lúcifer ganha vida na interpretação de Gwendoline Christie e continua tão imponente quanto você espera, entretanto eu não consegui me entusiasmar com ele nesse primeiro momento. Talvéz por ele não estar, diferentemente dois outros dois citados acima, tão fiel ao HQ.

Desejo ficou por conta de Mason Alexander Park e nos mostra novamente uma interpretação bem fiel e interessante, quase fustigante.

Vale ressaltar que muito da qualidade da historia vem da experiencia de seus interpretes. Neil Gaiman sou escolher os atores, balanceando a experiencia dos atores, com uma historia complexa e difícil de ser interpretada, como é o caso de Sandman, entretanto, um personagem me deixou extremamente desapontado.

Roderick Burguess, vivido por Charles Dance no meu entendimento é o ponto mais fraco no que diz respeito a esse primeiro arco de personagens. Infelizmente a interpretação não convence, e quando olhamos para os HQs, a coisa fica ainda mais complicada. Dance não consegue trazer a avareza, o misticismo e principalmente a decrepitude de Burgess para a tela.

O destaque para nossos coadjuvantes vai para o Corintio de Boyd Holbrook. O personagem é exatamente como se espera e tem as características principais que marcaram o personagens nos quadrinhos. A pesar da importância, Corintio tem um papel discreto na trama nos HQs, mas na série o personagem consegue se sobressair com uma atuação carismático e com um clima elegante e misterioso.

Sandman – Vale a Pena?

Definitivamente a obra de Neil Gaiman através da Netflix vale muito a pena, e apesar de estar longe da perfeição da obra original, somos agraciados com uma obra cheia de carisma, com uma personalidade única e revivendo os pontos marcantes do HQ.

Apesar do clima quase meditativo e lúgubre da série, tudo esta exatamente como deveria ser, apresentando na maioria das vezes, fidelidade a quem conhece a obra original. A maioria do elenco consegue dar conta, e nos mostra uma interpretação muito cativante e cheia de inspiração. Todos os elementos que estão vivos na imaginação dos leitores estão presentes na série.

O mundo mudou ao longos dos anos após o lançamento em HQ de Sandman, entretanto a impressão que temos na série e que tudo esta no tempo certo. Sem modernidades, e principalmente sem a necessidade de afirmar uma agenda, pauta ou conceito, que infelizmente esta presente em muitas séries. Sandman da Netflix é exatamente como foi escrito a anos trás, e isso é reconfortante.

A parte negativa fica por conta de algumas ausências, não totais, mas pontuais, como se as coisas estivessem acontecendo de maneira acelerada. Isso melhora um pouco com o passar e alguns capítulos, mas ainda persiste até o final. Outro fator que as vezes acaba atrapalhando, é o uso do escuro como meio de colocar o espectador em um clima de tensão ou suspense. Nada novo, entretanto um subterfúgio desnecessário.

Após longos anos esperando, e com um medo quase infantil do que essa série poderia se tornar, fico grato pelo respeito que a Netflix e Gaiman tiveram com os leitores ao dar vida a obra. Não esperava menos de Gaiman.

Aguardamos ansiosos para o próximo arco.

Sandman | REVIEW

Interpretação - 90%
Elenco - 90%
Cenografia - 80%
Direção - 90%
Música e Efeitos Sonoros - 85%

87%

Ótimo

Apesar do clima quase meditativo e lúgubre da série, tudo esta exatamente como deveria ser, apresentando na maioria das vezes, fidelidade a quem conhece a obra original. A maioria do elenco consegue dar conta, e nos mostra uma interpretação muito cativante e cheia de inspiração. Todos os elementos que estão vivos na imaginação dos leitores estão presentes na série.

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Marcelo Souza

Apaixonado por jogos e consoles desde 1990. Quando não esta escrevendo em algum site de games, esta jogando ou ensinando o Felipe a jogar.

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