Por Bruna Simões, CEO da Thunder Games, empresa brasileira desenvolvedora de games e de soluções gamificadas
A indústria de games deixou de ser restrita apenas a um público específico e vem, cada vez mais, se consolidando como um ecossistema que movimenta diferentes tipos de negócios, muito além do desenvolvimento de jogos. No Brasil, onde o setor também apresentou um crescimento acelerado, as novas oportunidades surgem desde a criação de conteúdo até áreas como marketing, educação e e-commerce.
Atualmente, o Brasil é o maior mercado de videogames da América Latina e o quinto maior do mundo em número de jogadores, além de movimentar aproximadamente US$2,7 bilhões por ano e estar entre os principais pólos globais de consumo e desenvolvimento do setor.
De modo a contribuir com o atual momento do mercado, em decreto assinado em 14 de outubro, o Governo anunciou novos investimentos de até R$200 milhões para a indústria de games no país. Além dos recursos, também houve o estabelecimento de novas plataformas que têm como objetivo captar patrocínio e promover jogos desenvolvidos em estúdios nacionais. A medida busca facilitar a ampliação de um setor que está em expansão e que já se consolida como um dos maiores do mundo.
Além de estimular a produção de novos games no Brasil, o pacote reconhece jogos como obras audiovisuais e permite que produtores acessem mecanismos federais de incentivo à tecnologia, pesquisa e inovação.
Ainda há de se esperar para saber como tudo funcionará na prática, mas com certeza é um projeto que caso bem executado pode impulsionar o setor no país, que já apresenta grande potencial para impulsionar a indústria brasileira.

Trata-se de uma iniciativa muito importante para o mercado de games nacional, que é um dos principais do mundo. Além dos incentivos previstos e da plataforma de divulgação, a formação de novos profissionais para a indústria também será de grande relevância a partir de medidas anunciadas, como a formação acadêmica, o novo programa de talentos e o incentivo à pesquisa.
Cerca de 120 milhões de brasileiros consomem jogos digitais, o equivalente a mais de 75% da população conectada. Pela praticidade e facilidade de acesso, os jogos para dispositivos móveis lideram a preferência do público, seguidos pelos consoles e PCs, reforçando a força e o potencial de expansão do mercado brasileiro de games.
Além do incentivo financeiro, a determinação do governo prevê a criação de duas novas plataformas para o setor: a Rouanet Games, sistema que permite captar patrocínios por meio da Lei Rouanet, em parceria com empresas públicas, e o Game Brasil, plataforma que tem como objetivo catalogar e promover jogos brasileiros.
É importante que a aplicação da lei, de fato, não se limite apenas ao desenvolvimento de jogos, mas também contemple todo ecossistema envolvido na produção. Cursos, oficinas e programas de capacitação também estão inclusos na medida, estimulando a qualificação da mão de obra técnica e criativa do setor.
Incentivos na qualificação são extremamente importantes para a indústria pois, a partir deles, é possível transformar a paixão pelos games em oportunidades formais de trabalho. Além disso, a profissionalização garante que os estúdios nacionais criem produtos de alta qualidade, capazes de competir com o mercado internacional.
Para exemplificar, China e Estados Unidos, que movimentam juntos cerca de US$92 bilhões por ano, lideram a indústria de games no mundo, respectivamente. Japão, Coreia do Sul e Alemanha completam o top-5 entre as nações com mais receitas no mercado, além de serem tradicionais polos criativos e apresentaram um grande mercado consumidor.

O Brasil, que está entre as dez maiores economias do mundo e ocupa a quinta posição em número de jogadores, busca ampliar sua presença no mercado internacional de games. As novas medidas voltadas ao setor contribuem para esse movimento e reforçam o potencial do país para atrair investimentos, estimular a inovação e fortalecer sua competitividade global.
Os jogos, atualmente, são muito mais do que uma forma de entretenimento e consolidam-se como uma linguagem. Investir nos games é uma forma de também impulsionar marcas, o que pode incentivar toda a cadeia produtiva. E muitas empresas já perceberam isso.
A Thunder Games, por exemplo, tem desenvolvido diversas soluções gamificadas para que marcas se conectem melhor com o público, de modo a desenvolver mapas personalizados tanto para o Roblox, um dos principais jogos mobile do mundo, quanto para o Fortnite, fenômeno dos games em consoles e PCs.
O desafio agora é transformar esse cenário favorável em oportunidades concretas para o desenvolvimento da indústria nacional.
Aviso de autoria e responsabilidade: Este artigo é de autoria de Por Bruna Simões, CEO da Thunder Games e não representa necessariamente a opinião ou o posicionamento oficial do Games Ever. A responsabilidade pelo conteúdo, exatidão das informações e opiniões expressas é exclusiva do autor.




