Se você gosta de jogos com temática apocalíptica zumbi com foco na sobrevivência, mas com uma pegada mais retrô, no estilo 8-Bits, a desenvolvedora AM Playhouse em parceria com as publicadora GameEon Studios tem o jogo apropriado para você se divertir nesse final de ano. Confira nossa análise do recém lançado Flee the Fallen, jogo que promete agradar os fãs do gênero que curtem gráficos 2D, nos remetendo ao que conhecemos como metroidvania.
A História
Sua aventura começa de maneira bem simples, apostando em um argumento que não é nada inspirador, pois você descobrirá mais sobre os acontecimentos que fizeram o mundo chegar nessa catástrofe zumbi. É cada vez mais difícil desenvolver uma trama original dentro de certos gêneros de jogo, e com certeza, os desenvolvedores têm de se inspirar cada vez mais para criar uma trama original e/ou envolvente no gênero terror e sobrevivência. Diante disso, não espere uma história surpreendente enquanto se aventura por Flee the Fallen.
O mundo foi devastado por uma praga que transformou quase toda a população mundial em zumbis, você está em sua casa e seus recursos para sobreviver acabaram. Diante disso, não existe uma grande trama ou mudanças drásticas na narrativa, tudo se resumirá a sobreviver a qualquer custo, eliminando tudo que aparecer no seu caminho. Enquanto segue em frente, terá pequenas obrigações, como encontrar uma chave, uma arma ou a senha para uma porta. Flee the Fallen prioriza uma narrativa básica que serve de pano de fundo para você continuar jogando, não oferecendo um motivo para que você se importe com isso.

Gráficos 2D que funcionam
Recorrendo ao velho estilo gráfico 2D, ainda que de maneira bem simples, eles funcionam muito bem. O jogo foca em ambientes urbanos, vales e alguns ambientes fechados, todos os eles bem simples, acompanhando os demais aspectos do jogo. Essas locações tentam passar a sensação de devastação, solidão e devastação, com cores vibrantes e variações bem definidas, mas como tudo no jogo, falta inspiração e alguns locais, passam a sensação de repetição.
Boa parte das ambientações recorre ao parallax, técnica gráfica que coloca profundidade nos jogos 2D, o uso do recurso é o destaque gráfico, dizendo muito sobre a simplicidade. Vale ressaltar que essa versão do jogo traz melhorias significativas em relação a anterior. Os personagens estão com mais movimentos. As texturas também foram melhoradas, deixando o jogo com uma identidade visual mais bonita.
Na parte sonora, não há muito o que dizer, as músicas não possuem nenhum destaque e boa parte dos jogadores não vão lembrar de ter ouvido nada assim que sair do jogo. Mesmo nos momentos mais tensos, não existe nenhuma variação significativa, o mesmo podemos dizer dos efeitos sonoros, que são desinteressantes e repetitivos. Entretanto, como ambos não se destacam, vão passar desapercebidos. Os diálogos são em texto, com tradução completa para o português, um diferencial que ajuda muito a manter o jogador interessado.
A difícil tarefa de sobreviver
Se a narrativa não possue uma estrutura brilhante e surpreendente, a jogabilidade acompanha a mesma tendência, oferecendo uma ambientação 2D com elementos básicos e sem nenhuma inspiração, trazendo estruturas bem conhecidas dos jogadores. Ainda que tenhamos alguma variação, tudo se resume a atira/bater, saltar/rolar. Nos primeiros minutos o jogador se sentirá inclinado a continuar, mas bastam algumas horas para essa estrutura se mostrar cansativa e muito repetitiva. A desenvolvedora AM Playhouse poderia ter adicionado mais elementos, principalmente no gerenciamento para sobrevivência, tudo no jogo é muito simples e adicionar elementos como um reforço para danos, customização de armas e até mesmo uma simples distribuição de pontos para alguns atributos, deixaria o game menos entediante.

Em termos de combate, as coisas não mudam muito, infelizmente. Mesmo com algumas opções de armas e munição limitada, você poderá atravessar todo o jogo apenas usando golpes físicos. Os inimigos tentam ser agressivos e transparecer uma violência que não existe, com o mínimo de habilidade, você enfrentará todas as adversidades com seu “porrete” e alguns desvios previsivelmente providenciais. A gameplay tenta passar a impressão de que as armas são essenciais para a progressão, principalmente pela munição supostamente limitada, mas como os inimigos não são uma ameaça que exija grande habilidades, você provavelmente terá sempre munição de sobra.
Conforme você sobreviver no jogo, terá de lidar com uma jogabilidade pesada e cheia de morosidade, sendo esse, o aspecto que mais impõem dificuldade ao jogo. Um bom exemplo disso é não poder atacar com sua arma enquanto anda, mesmo a arma branca. Ter de estar parado para atacar um inimigo deixa a jogabilidade engessada, extremamente lenta e cadenciada. A resposta aos comandos é lenta, você terá de se adaptar a resposta dos comandos, confesso que esses aspectos negativos não são uma inabilidade da equipe de desenvolvimentos, mas um aspecto dos jogos dos anos 90 que hoje transparecem mais dificuldade. Entretanto, esses argumentos transparecem uma certa falta de inspiração para criação de algo mais original.
Os inimigos em Flee the Fallen são variados, mas carecem de inspiração, com poucos movimentos e ainda, sim, esses movimentos limitados são engessados e sem qualquer sincronização. Quase todos os inimigos podem ser mortos usando a mesma estratégia — você se aproxima e se afasta, o inimigo ataca, você se aproxima e ataca ele, muito básico. Você terá um mapa para explorar, conforme avança, ele ficará maior e com mais inimigos, o que demandará mais tempo e consequentemente, exigirá mais empenho do jogador. Os inimigos ficam maiores e mais agressivos, ainda, sim, com paciência, você poderá vencer qualquer um deles sem maiores problemas. Você terá acesso a um inventário, mas usará ele somente quando for consumir algum item, por ser exatamente isso, um local para guardar itens e mais nada.
Sobreviva nas ruas
Como um jogo leve que é, Flee the Fallen roda perfeitamente nos PCs portáteis como o Steam Deck. O desempenho fica estável nos 60 FPS com quedas pequenas e pontuais, deixando o jogo fluído, o mesmo acontece para o som. Nas horas em que passamos jogando o game no portátil da Valve, não houve travamentos e a diversão se mostrou mais intensa nesse formato que no monitor convencional. Flee the Fallen é mais interessante quando jogado em dispositivos móveis do que no formato tradicional do console, isso vem acontecendo com muitos jogos, sendo uma boia de salvação para muitos jogos que não conseguem se destacar no formato tradicional.
Flee the Fallen — Vale a Pena?
Oferecendo uma experiência nostálgica com gráficos retrô interessantes a primeira vista, Flee the Fallen é uma experiência honesta, mas não empolga. A jogabilidade não engrena, e com uma dinâmica lenta, o jogo passa uma sensação de monotonia. A história poderia ser o combustível dessa engrenagem, mas com pouca inspiração, é apenas a certificação de que o jogo carece de inspiração. Se você é um fã nostálgico desse tipo de game, ele está totalmente traduzido e se tiver um PC portátil, vale a pena conferir para uma jogada mais descompromissada.
Regular
Com uma proposta retrô focada na sobrevivência, Flee the Fallen aposta nas mecânicas e gráficos mais simples. Infelizmente, essas escolhas deixaram o jogo engessado. A diversão não engrena e a narrativa, não consegue prender o jogador por muito tempo. Um jogo honesto, mas sem nenhuma inspiração.
Pontos positivos.
- Gráficos retrô bem definidos.
- Legendas em português.
- Otimizado para PCs Portáteis.
Pontos negativos.
- História não empolga.
- Jogabilidade engessada.
- Level Design e inimigos repetitivos.




