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Fallen Tear: The Ascension | REVIEW

Se você é um fã de JRPGS, principalmente jogos do gênero influenciados pelos elementos de Legend of Mana por exemplo, Fallen Tear: The Ascension pode ser o jogo perfeito para você. A desenvolvedora Winter Crew Studios fez questão de construir uma narrativa emocional que crie vínculos entre os personagens e principalmente, cative o jogador. Ainda que tenha sido construído com elementos dos JRPGs tradicionais, você encontrará muitas influências do gênero metroidvania, o que deixa Fallen Tear: The Ascencion, ainda mais original.

A desenvolvedora destaca que o jogo foi concebido como uma “carta de amor aos JRPGs”, evidenciando o comprometimento em criar um jogo que atenda aos jogadores fãs do gênero. A mistura de um dos gêneros mais tradicionais dos games com as mecânicas renovadas do metroidvania, visa renovar o gênero e agregar novos elementos ao metroidvania, criando um jogo que atenda ambos os jogadores fãs de ambos os gêneros, mas com uma gameplay ainda mais moderna. Confira abaixo nossas impressões do jogo.

Uma criança e nos deuses, um passado escondido

Nessa aventura colorida e cheia de magia, se passa no mundo de Raoah, um mundo cheio de Florestas, ruínas antigas, cidades, templos e territórios dominados por criaturas e deuses ancestrais. Esses deuses, já tiveram em conflito com os seres humanos, deixando marcas profundas nessa população. Você controlará Hira, um garoto misterioso e com poderes que as pessoas ao seu redor não conseguem compreender. Diante desses poderes, a população local acredita que o jovem é amaldiçoado. Após um cataclisma cair sobre a vila onde Hira já enfrentava dificuldades de adaptação, a população local resolve expulsar o garoto da comunidade. Ainda que as pessoas da vila tenham alguma semelhança com Hira, a diferença central é que o jovem carrega uma maldição, que lhe proporciona poderes únicos ligados aos deuses ancestrais que fazem parte da história desse mundo, enquanto os habitantes da vila são pessoas comuns, sem habilidades especiais. A narrativa gira em torno desses poderes e dos acontecimentos que levam as pessoas a expulsarem o garoto da vila.

Hira não nasceu na vila, ainda bebê, ele foi encontrado, vindo de um passado misterioso que ele mesmo não lembra. Os moradores o acolheram inicialmente, mas sua origem desconhecida e os sinais da suposta maldição que carrega acabaram despertando medo e rejeição. A verdade é que os moradores levam uma vida simples e sem grandes acontecimentos, os poderes de Hira simbolizam o desconhecido e algo que mesmo os moradores mais fortes, não podem controlar. Sim, a narrativa não é das mais originais, mas não compromete a diversão do jogo, que mantém o clima de exploração e progressão naturalmente leve, sem o peso das atitudes dos moradores. A narrativa poderia transmitir uma sensação de revolta, tristeza ou vingança, mas não é o caso.

Inicialmente, você terá a sensação de solidão, principalmente se conve Arsar com os habitantes da vila antes de sair. Entretanto, conforme você avançar no jogo, encontrará outros personagens que possuem poderes parecidos com o seu, distanciando a impressão de que Hira é um ser único. Explorando o mundo do jogo em busca de respostas, você encontrará muitas pistas e histórias que vão levar você de encontro a história de Hira e, consequentemente desse mundo. Agora que você já conhece um pouco da história de Fallen Tear: The Ascension, vamos falar dos aspectos mais técnicos do jogo.

Jogabilidade e progressão

Suas habilidades e a forma que elas progridem, usam basicamente os mesmos sistemas já usados nos JRPGs mais conhecidos e que, provavelmente você deve ter jogado em algum momento. Você começa o jogo controlando uma criatura cheia de poderes e agressiva, mas isso não dura muito tempo. Logo você terá a habilidade mais básica, que é somente pular. A introdução ficou um pouco confusa, principalmente por durar pouco tempo e deixar o jogador sem entender o que está acontecendo por algum tempo. Com pouco tempo de jogo, já entendemos como a progressão acontece, ela é natural, mas impõe ao jogador escolhas. Uma escolha pode definir qual caminho você seguirá, pois você pode precisar de um pulo duplo para chegar em uma plataforma, mas se tiver escolhido o a esquiva, o caminho será outro.

Você adquire essas habilidades mediante a pontos de habilidade, mas o ponto que distingue Fallen Tear: The Ascencion dos demais jogos é o sistema Fated Bonds, que podemos chamar de Laços. Esse sistema está ligado aos demais personagens do jogo e quando você cria vínculos com personagens importantes, Hira desbloqueia habilidades únicas. cada nova habilidade adquirida e fundamentada em uma árvore de habilidades, expandindo os poderes de Hira a medida que ele descobre sobre o passado e aprofunda os laços com os habitantes desse mundo. Essas habilidades nem sempre são profundas, mas mantém o jogador entretido, pois logo que você consegue essa habilidade, ela terá um uso, seja para progredir ou para voltar e explorar uma nova área. Essas dicas ficam evidentes, quando por exemplo, você nota que poderia subir uma parede, mas não pode por não ter a habilidade. Não existe fator surpresa, você muitas vezes saberá o que precisa, e saberá que em breve, terá essa habilidade e no caso de subir em paredes, não há nada de novo nisso.

essa progressão está diretamente ligada aos Trust Points, esses pontos de confiança são adquiridos quando, por exemplo, Hira ajuda um aliado, seja conversando ou ajudando ele em alguma missão. Você ainda pode criar laços mais íntimos com esses personagens, isso resulta em habilidades diferenciadas, mas esses benefícios só são conseguidos através da fidelidade de Hira. A grande diferença em Fallen Tear: The Ascencion é que enquanto outros jogos premiam o jogador pela exploração ou somente pela distribuição de pontos, para Hira conseguir habilidades necessárias, terá de criar vínculos com outros personagens da trama. Além de forçar o jogador a escolher qual caminho seguir e qual vínculo prestigiar, ainda haverá o fator replay, pois você sempre poderá escolher outro caminho em uma nova partida. Um bom exemplo dessas ligações é quando você estreita os vínculos com Trystan, isso desbloqueará técnicas de combate corpo a corpo. Outros personagens vão desbloquear habilidades bem diferentes.

Ainda que seja um fator que insere novidades em um sistema de progressão que geralmente está ligado a exploração, combate ou distribuição de pontos, o Trust Points tem um fator negativo: ele contrasta com a ação. Por algum tempo, investir em relacionamentos pode ser divertido, mas para conseguir as melhores habilidades, você vai precisar dedicar algum tempo a essa interação. A possibilidade de o jogador simplesmente ignorar esses laços e perder as habilidades menos necessárias é alta. Além disso, você deve estar atento ao balanceamento, pois investir tudo em uma habilidade, pode ser um problema. Encontrar um chefe de fase que exige uma habilidade que você desenvolveu pouco, pode ser um problema. Para desfrutar de todas as habilidades como idealizado pela desenvolvedora, você terá de jogar algumas vezes, o que pode fazer com que muitos jogadores não desfrutem da totalidade das possibilidades de Fallen Tear: The Ascencion.

No que diz respeito a dificuldade, o jogador poderá escolher qual nível deseja experimentar, podendo ser fácil ou normal. Essa possibilidade aproxima os jogadores casuais do game, pois além do jogo ter um bom balanceamento, principalmente no início, os jogadores mais casuais ainda podem desfrutar de uma experiência ainda mais fácil e narrativa. Entretanto, conforme você avançar no jogo, mesmo no nível mais fácil, você terá de criar vínculos para conseguir habilidades que tornam determinados combates mais acessíveis. A dificuldade é aceitável e balanceada, mas caso não tenha o mínimo de compromisso com a evolução de Hira, ele pode ficar difícil, até mesmo na dificuldade fácil, depende exclusivamente de você.

Gráficos e sons

Os gráficos de Fallen Tears: The Ascencion foram desenhados a mão. Esse trabalho, como bem sabemos, causa uma impressão única nos gráficos, e nesse caso, não foi diferente. os cenários são extremamente ricos em vários aspectos, mas e na animação e nas cores que estão os pontos mais evidentes desse trabalho. Você verá predominantemente tons sombrios e vibrantes, sendo que esse contraste cria um conflito entre a tensão narrativa do jogo e alegria que o personagem passa em muitos momentos, principalmente nas interações. Nas opções do jogo, você pode escolher entre deixar o jogo rodando a 30, 60 ou 120 FPS, e em qualquer uma dessas opções, o jogo roda muito bem e mantém a qualidade exuberante.

Vale ressaltar que algumas escolhas, por mais interessantes que sejam, criam a sensação de que já vimos isso em algum lugar, isso acontece devido a popularidade do motor gráfico Unity. Essa semelhança é mais uma questão de estética, a criação dos artistas se sobressai com louvores, mas não podemos deixar de citar que muitos jogos usam a biblioteca de assets da Unity, criando essa impressão. Enquanto os personagens mais importantes possuem mais identidade, a maioria dos inimigos não conseguem impressionar e mutas vezes, passam desapercebidos. os personagens contrastam entre criaturas com aparência amigável e outras grotescas e agressivas. Você encontrará monstros inspirados em mitologia do universo do jogo e entidades sobrenaturais, refletindo a decadência do mundo de Raoah.

Se você jogou a demo, deve ter notado algumas pequenas quedas de FPS na ocasião. Muitos pensaram que isso fosse devido ao setup usado, que poderia não estar aguentando o jogo, mas esse não é o caso. Mesmo em configurações mais altas, o jogo apresentava algumas quedas de desempenho, e isso ainda persiste na versão de Acesso Antecipado. Note que o jogo ainda está em desenvolvimento, e ainda que a Unity tenha uma documentação e ferramentas extremamente conhecidas e bem customizadas, o jogo está sendo polido. Na Unity, jogos com a estrutura de Fallen Tear: The Ascencion costumam gerar microstutters, quedas de FPS e travamentos em frações de segundos. Isso acontece devido ao carregamento de assets, sincronização de frames ou otimização incompleta. A versão definitiva do jogo deve corrigir esses problemas.

Em termos sonoros, a música e os efeitos acompanham o jogador e colocam o clima específico com competência. O jogo usa composições orquestradas, sendo que os personagens mais importantes possuem seu próprio tema. Além disso, as áreas também possuem temas únicos, colocando mais variedade na gameplay. As composições também evoluem conforme o jogador avança na história, criando um clima épico e de progressão continua. Durante o combate, você notará diversos efeitos sonoros, cada ataque, esquiva, golpe normal ou especial possuem um som único, deixado o combate dramático e fluído. Por fim, boa parte dos diálogos são dublados, durante esses diálogos, você notará sons característicos como, respiração mais forte, ruídos associados a raiva ou cansaço, etc. O som é bom o suficiente para ser mais um agregador, mantendo toda a estrutura balanceada.

Fallen Tear: The Ascencion – vale a pena

Com uma jogabilidade divertida e uma progressão desafiante, Fallen Tear: The Ascencion é um jogo que, inegavelmente criará expectativa nos jogadores. Com belos gráficos, todas as demais escolhas dos desenvolvedores são sólidas e mostram exatamente onde a equipe de desenvolvimento que chegar. Ainda em acesso antecipado, o jogo é ambicioso e provavelmente, será um dos principais lançamentos de 2026 na cena de desenvolvimento indie. Que venha o jogo definitivo.

8.0
Fallen Tear: The Ascencion
NOME DO JOGO

Excelente

Fallen Tear: The Ascension combina elementos do gênero metroidvania e JRPG, narrativa emocionante, desenvolvimento de laços, belos gráficos, trilha marcante, mas pode ser difícil para jogadores casuais.

Pontos positivos.

  • Gráficos desenhados a mão coloridos e vibrantes.
  • Criação de laços com outros personagens.
  • Possibilidade de escolher diversos caminhos dentro do jogo.

Pontos negativos.

  • Sistema de laços exige tempo para se desenvolver.
  • Sitema de habilidades pode ser confuso
  • Pequenos travamentos e quedas de FPS.
— Jogo foi avaliado mediante cópia cedida pela Keymailer

Marcelo Souza

Apaixonado por jogos e consoles desde 1990. Quando não esta escrevendo em algum site de games, esta jogando ou ensinando o Felipe a jogar.

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