O desenvolvedor independente Dexter Manning nos apresenta sua nova criação: Back Again, um jogo de plataforma em primeira pessoa descrito como um jogo hardcore 3D. Saiba o que podemos esperar desse jogo no nosso review.
- Jogo: Back Again
- Desenvolvedora: Dexter Manning
- Publicadora: Eastasiasoft
- Lançamento: 26 de agosto de 2022
- Número de Jogadores: Single-player
- Gênero: First-Person Platformer
- Plataformas: PS4, PS5, Switch
- Site Oficial: Aqui
Universo Minimalista
Back Again é um jogo de plataforma em primeira pessoa. Durante todo o jogo, o jogador terá apenas uma função: seguir em frente. O caminho é simples e linear, e o personagem é apenas capaz de andar e de pular, habilidades mais do que suficientes para conseguir ultrapassar todos os desafios do jogo. Apenas como comparação, a jogabilidade do game lembra um pouco o clássico Mirror’s Edge, mas sem as cenas de combate.
Back Again foi produzido por apenas uma pessoa: Dexter Manning. Dexter é um jovem programador de jogos independentes da Inglaterra, apaixonado por jogos hardcore. Ele foi responsável por toda a produção do jogo: programação, cenários, modelagem, tudo. O jogo, claro, é bem simples, propositalmente bem minimalista, a ideia dele é ser assim.
A música do jogo foi composta pelo compositor Christopher Ross, e é um dos pontos altos do jogo. A música do jogo dá todo o ritmo necessário para avançar no game, e cada trecho de plataforma coincide com a música que está tocando no momento. O game foi feito para ser rápido e frenético, jogado de uma só vez, então a música possui papel fundamental para cativar o jogador e instigá-lo a seguir em frente. Nisso, Ross fez um excelente trabalho, suas músicas conduzem bem o jogador pelas mortes e repetições sem enjoar.
O jogo está com o preço atual de lançamento de menos de 16 reais na Playstation Store e 15 reais no Nintendo E-Shop, então leve isso em consideração na hora de decidir se vale a pena ou não investir no game e apoiar futuras criações do desenvolvedor.
Apenas Branco no Preto
O aspecto minimalista e provocativo do jogo é curioso. O mundo em que se passa Back Again é totalmente preto e branco, com alguns detalhes em vermelho. O céu, ou o que aparenta ser um céu, é como uma noite estrelada, e fora isso há apenas um vazio, um abismo. Tudo o que vemos é uma série de plataformas que pode nos levar adiante.
O personagem que controlamos é um manequim, com independência e personalidade, mas sem voz. O mundo monocromático em que vivemos é habitado apenas por manequins, ou o que parecem ser manequins. Eles não interagem especificamente com o jogador, mas estão lá, em poses e expressões que definem basicamente seus pensamentos e ações. É um mundo único, é verdade, mas bem monótono.
Só existe uma voz no jogo: uma misteriosa voz que guia nosso personagem. Inicialmente, a voz nos provoca a seguir em frente, então começa a nos deixar em dúvida, a nos desanimar e por fim tenta nos impedir de seguir em frente, mas não possui interferência na nossa atividade. No decorrer do jogo, desconhecemos o dono misterioso da voz.
A narrativa do jogo é simples, o game não perde tempo com cenas elaboradas e nem em explicar nada. O próprio final do jogo não explica nada, e deixa muita coisa para a interpretação do jogador. Desconsidere a narrativa aqui, e observe apenas o modo como tudo se desenrola conforme é narrado pela voz. Há um mínimo de história a ser contada, mesmo que o próprio jogo pegue bem leve no enredo para focar na ação.
Lá Vamos Nós de Novo e de Novo
A ideia do jogo é basicamente colocar uma série de desafios e quebra-cabeças entre um checkpoint e outro. Como tudo o que podemos fazer é andar e pular, os desafios do jogo se limitam a colocar plataformas mínimas para o jogador saltar, uma série de obstáculos em meio às plataformas. Caso erremos o pulo ou encostemos em um obstáculo mortal, voltamos ao checkpoint anterior, com os dizeres “Back Again?”.
O retorno é muito rápido, então o ritmo do jogo acaba sendo instigante ao invés de cansativo. Cada vez que erramos e voltamos atrás, dá vontade de tentar de novo e de novo, até conseguir passar por aquele desafio.
Para dar uma quebrada na repetição, haverá breves momentos com habilidades únicas concedidas pelo cenário, como super saltos ou velocidade de corrida acelerada. Também haverá momentos de escuridão, em que quase não dá para enxergar onde está andando, mas para nossa sorte esses momentos são poucos. Há ainda alguns momentos de quebra-cabeça, como em um que precisará acender todos os pisos do jogo para liberar a saída da plataforma.
Hardcore Onde?
Nenhum desafio do jogo é difícil demais, ao contrário do que pode imaginar levando em consideração que o desenvolvedor do jogo descreve o jogo como “Hardcore”. Pelo contrário, depois que se acostuma, o jogo até parece relativamente fácil. A dificuldade do jogo é crescente, quando você acha que já viu o que ele tinha a oferecer, um novo desafio ou quebra-cabeça aparece. Mesmo assim, a curva de dificuldade é bem sutil e nunca chega em um nível realmente difícil. Encontrará desafios de plataforma muito mais difíceis em jogos como o Crash Bandicoot 4, por exemplo.
Um fator que pode tornar algumas cenas de pulo mais complicadas é o fato de ser em primeira pessoa. Pular entre plataformas minúsculas pode ser desajeitado quando não está vendo exatamente onde está pisando, então uma dica simples que eu dou é olhar para baixo quando pular. Assim, terá uma noção exata de onde está pulando e quando está na beira de uma plataforma ou não. Outra dica que eu dou é observar a sombra dos obstáculos mortais, para saber exatamente onde eles estão em relação ao piso. Assim, poderá se aproximar o máximo possível, tendo o tempo necessário para passar correndo ou saltar.
Além do mais, a dificuldade do jogo não tem como assustar porque o jogo possui vidas infinitas e os checkpoints são confortavelmente próximos uns dos outros. Nunca estará tão longe assim do próximo checkpoint a ponto de querer desistir de jogar. Persista, de novo e novo, e conseguirá passar por todos os desafios impostos.
Curto Demais
O game não é muito comprido, contando apenas com 21 checkpoints no total. Dependendo da habilidade do jogador, ele pode fechar o jogo em menos de uma hora. Eu levei cerca de uma hora e dez minutos para fechar enquanto escrevia a análise, por exemplo.
Poderia ter sido mais rápido se tivesse morrido menos. Até que não morri tanto assim, pelo menos não depois que comecei a pegar o jeito do jogo. A primeira vez que eu fechei, havia morrido menos de 70 vezes no total, apesar de que pensava que era bem mais. O jogo possui um contador de mortes totais no menu principal, que serve apenas para o jogador ter uma noção, não há qualquer fator punitivo relacionado ao número de mortes.
Após fechar o jogo, poderá contar com o modo Survival, no qual terá uma corrida contra o tempo. É o mesmo jogo, só que sem as cenas de diálogo com a voz misteriosa e com um tempo cronometrado no canto da tela, instigando a seguir em frente e fechar o jogo o mais rápido possível. Terá uma chance a cada checkpoint de morrer e tentar de novo, mas se morrer duas vezes no mesmo checkpoint, terá de recomeçar desde o início. Perfeito para quem quer sentir um desafio a mais, mas insuficiente para aumentar consideravelmente o fator replay do jogo.
Back Again – Vale a Pena?
Back Again é a tentativa de um jogo de plataforma hardcore em primeira pessoa. Provavelmente pensado para ser bem mais difícil do que acabou sendo, o jogo acabou ficando como uma pedida razoável aos amantes de dificuldade e de aspecto minimalista. Com o valor baixo do jogo, recomendo a todos os amantes de jogos de plataforma que quiserem contribuir com o criador, mas saibam que estão comprando um jogo independente desenvolvido por uma única pessoa, então moderem as expectativas.
Back Again foi avaliado através de uma cópia gentilmente cedida pela Eastasiasoft – Agradecemos a cordialidade!
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Back Again
Gráficos - 60%
Jogabilidade - 65%
Diversão - 80%
Som - 80%
Dificuldade - 75%
Fator Replay - 70%
72%
Back Again é a tentativa de um jogo de plataforma hardcore em primeira pessoa. Provavelmente pensado para ser bem mais difícil do que acabou sendo, o jogo acabou ficando como uma pedida razoável aos amantes de dificuldade e de aspecto minimalista. Com o valor baixo do jogo, recomendo a todos os amantes de jogos de plataforma que quiserem contribuir com o criador, mas saibam que estão comprando um jogo independente desenvolvido por uma única pessoa, então moderem as expectativas.